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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

RECORDES DA BOLSA: SINTOMAS DE BOLHA (?) (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

A B3, nossa bolsa de valores, registra um crescimento, em 2025, de 36,9% até o dia 04/12. Em uma economia cujo PIB deve crescer ao redor de 2% no mesmo ano, após 3,4% no ano anterior, tal performance acende o sinal de alerta. Como as ações das principais empresas que, na economia real geram este PIB, podem se valorizar tanto no mesmo período? Na teoria econômica isso indica uma potencial bolha. E toda bolha estoura um dia. Uma das explicações para o movimento estaria no fato de que investidores estrangeiros estão vindo comprar ações das empresas aqui cotadas porque tais ações estão baratas. Existe fundamento nisso, porém, o movimento é meramente especulativo. E a especulação, assim como vem, volta. Afinal, as estatísticas mostram que não há interesse de novas empresas em abrir capital no país. Aliás, a B3 vem perdendo companhias. Ao final de 2021 a B3 tinha 463 companhias listadas. Ao término de 2025 o número previsto é de 420 companhias. É sabido que, embora importante, o mercado acionário pode trazer ganhos e prejuízos, pois muito volátil e, seguidamente, muito especulativo, como vem sendo o caso no momento aqui no Brasil. Tanto é verdade que bastou o anúncio, casuístico, de que um membro da família Bolsonaro seria candidato à presidência da República para o Índice Bovespa perder 4,3% de seu valor em um só dia (05/12). Além disso, outros elementos merecem atenção neste alerta. O primeiro é o possível aumento de saída de dólares do país no final do ano, em função de remessas de lucros das transnacionais à suas matrizes. Segundo o Itaú a saída pode mais do que duplicar em dezembro, passando de 1,8% do passivo externo líquido (média histórica), para 4%. Se isso vier a ocorrer, serão entre US$ 25 bilhões a US$ 35 bilhões que sairão do país. Menos dólares, menos aplicações em ações e outros ativos. O segundo está no aprofundamento do déficit em transações correntes. Em 12 meses, até outubro inclusive, o mesmo chegou a US$ 76,6 bilhões (US$ 57,3 bilhões no mesmo período de 2024). Assim, todo o cuidado é pouco! De quebra, vale lembrar que uma saída de dólares desta envergadura tende a desvalorizar o Real, a qual trabalha em favor de uma alta de preços, podendo impedir uma redução mais significativa da Selic, cujo início está previsto para o primeiro trimestre de 2026. 

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