O encerramento da COP 30 mostrou as dificuldades que o mundo tem em chegar a um consenso sobre o que fazer diante dos problemas ambientais provocados pela humanidade, os quais comprometem, em perspectiva, a sustentabilidade da vida no Planeta Terra. Entre os exageros e aqueles que simplesmente negam o problema, há uma realidade que não pode ser ignorada. O problema existe e vem se tornando a cada dia mais grave. A ciência e os fatos vêm mostrando isso, tendo o Rio Grande do Sul, infelizmente, como um importante exemplo mundial. Se é verdade que sempre existiram problemas climáticos na história da humanidade, igualmente é verdade que nas últimas décadas os mesmos se tornam muito mais constantes e intensos. Apenas para ficarmos no campo do econômico, alguns números chamam a atenção: em termos diretos, os danos ao meio ambiente mundial são estimados, hoje, ao redor de US$ 10 trilhões anuais; entre 1970 e 2021 os eventos climáticos e meteorológicos teriam sido responsáveis por US$ 4,3 trilhões em perdas econômicas; já a poluição do ar, sozinha, custaria aproximadamente US$ 5,3 trilhões por ano globalmente, considerando gastos com saúde e perda de produtividade; segundo estudo da revista Nature, o impacto no PIB Global pode ser de uma redução de 20% até 2050, sendo que a falta de ação da humanidade sobre o problema pode custar até 33% do PIB de países amazônicos, dentre eles o Brasil; e como o aquecimento global tende a ultrapassar 2ºC (a meta de 1,5ºC já não será cumprida), as consequências serão dramáticas para o empobrecimento e a sobrevivência da humanidade. Além disso, tem-se outros impactos: a degradação ambiental leva à perda de biodiversidade, escassez de recursos naturais e agravamento do aquecimento global; investimentos negativos, já que cerca de US$ 7 trilhões são investidos anualmente em atividades que têm um impacto negativo na natureza, agravando ainda mais a situação; a vulnerabilidade social, pela qual as populações mais pobres (a grande maioria) são desproporcionalmente afetadas pelas mudanças climáticas e desastres naturais, mesmo sendo as que menos contribuem para o problema; e a degradação oceânica, pois a rapidez com que a mesma ocorre poderá custar US$ 8,8 bilhões à economia mundial na próxima década. E o Brasil em tal cenário? (segue)
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