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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

O FUTURO QUE ESTAMOS CONSTRUINDO (Final)


Argemiro Luís Brum
16/08/2018

Na coluna passada elenquei três áreas fundamentais para o desenvolvimento brasileiro e que estão sendo sucateadas em favor de interesses de uma minoria privilegiada, encastelada nos diferentes poderes nacionais. Após destacarmos alguns aspectos que atingem as áreas da educação e da saúde, cabe agora, ao encerrarmos nosso raciocínio, apontar para a infraestrutura. Pois entre 1999 e 2018 (estimado), o mundo cresceu a uma taxa média de 3,8% anuais, com uma taxa média de investimentos de 24,5% do PIB (o considerado adequado é 25%); a economia da América Latina e do Caribe cresce a 2,5% anuais, com taxa de investimento de 20,7%; enquanto o Brasil cresceu 2,4% no período, com investimento de 18,7% (desde 2015 esta taxa não passa de 16% do PIB) (cf. ZH 01/08/2018, p.17). Ora, sem investimentos adequados em infraestrutura, assim como em educação e saúde, não há país que saia “do buraco”. E torna-se uma falácia esperar que a economia cresça o suficiente e de forma sustentável a partir do consumo das famílias, quando estas não têm acesso adequado a tais áreas, gastando a maior parte de sua pouca renda apenas para sobreviver ao mau funcionamento das mesmas, num contexto que lhes leva a um endividamento e inadimplência enormes (mais de 25% das famílias brasileiras estão, hoje, inadimplentes). Paralelamente, diante de tal realidade, salvo honrosas e insuficientes exceções, nada se faz para mudar o quadro, pressionados que estamos por interesses de grupos privilegiados que ganham com a crise nacional (nossos 594 congressistas aprovaram um Fundo Partidário de R$ 1,7 bilhão para a campanha eleitoral de 2018, valor que corresponde a 43% do montante destinado à Capes, que sustenta 440.000 bolsistas brasileiros fazendo ciência; já a diária de 747 euros a que têm direito os membros do Judiciário no Rio Grande do Sul, para viagens à Europa, é superior ao salário mínimo mensal em Portugal e duas diárias ultrapassam o salário mínimo da Alemanha, e assim por diante  - cf. ZH, 03/08/2018 e ZH, 13/06/18, p.8). Tal descalabro nacional pode assistir a alguma mudança positiva a partir das eleições de outubro, porém, não haverá milagres. Para que a retomada econômica de fato aconteça e o Estado encontre meios para melhorar sua atuação social, e o Brasil realmente avance, será preciso que a iniciativa privada, interna e externa, encontre, diante de si, um cenário que lhe propicie confiança em investir. E que um bom governo (Executivo, Legislativo, Judiciário) crie os mecanismos de regulação adequados para acompanhar o movimento, eliminando os privilégios e, aos poucos, tire o Estado do “atoleiro” em que foi posto. Resta esperar que, apesar de tudo, a sociedade brasileira esteja preparada e deseje realmente ir por este caminho! 


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