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quinta-feira, 30 de julho de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

 24/07/2026 a 30/07/2026


Já está disponível o mais recente informativo da CEEMA-UNIJUÍ.

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segunda-feira, 27 de julho de 2026

A SOJA E A ESTRATÉGIA CHINESA (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

A partir do início dos anos 2000 a China vem se consolidando como o maior importador mundial de soja, sendo que o Brasil se tornou seu principal fornecedor. A previsão de produção de soja, na China, para 2026/27, é de apenas 21 milhões de toneladas diante de um esmagamento estimado em 111 milhões. Assim, suas importações deverão atingir a 115 milhões de toneladas de soja neste ano comercial, considerando a necessidade de estoques (cf. USDA). Nos últimos tempos, a China tem feito compras consideradas “políticas” nos EUA, apenas para cumprir os acordos feitos no contexto do tarifaço de Trump. Todavia, em junho/26, ela diminuiu em 21% suas compras da oleaginosa, especialmente produto estadunidense. E no primeiro semestre deste ano 2026, as importações chinesas de soja, com origem nos Estados Unidos, caíram 42,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, ficando em 9,31 milhões de toneladas. Enquanto isso, as compras de soja do Brasil aumentaram 9,1%, para 34,75 milhões de toneladas. Por sua vez, a soja brasileira depende muito da China. Em 2025 exportamos um total de 87 milhões de toneladas da oleaginosa ao país asiático, o que representou cerca de 80% de toda a nossa exportação de soja daquele ano. É diante desta realidade que precisamos nos preparar para possíveis mudanças na estratégia chinesa no médio prazo. Em Congresso da SOBER (Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural), ocorrido em Porto Alegre, entre os dias 19 e 23 de julho do corrente ano, pesquisadores chineses ali presentes, em debates e palestras, nos informaram o seguinte: “Um dos grandes objetivos da China, na atualidade, é transformar terras em grandes capacidades produtivas. A partir daí, reduzir a dependência para com as importações de produtos agrícolas, em especial a soja. A meta é, para 2030 reduzir em 25% às compras externas de soja e, para 2050, diminuir em 50% tais compras”. Inclusive, os chineses estão alterando sua matriz de ração animal, diminuindo a participação da soja em favor de outras fontes de proteína produzidas localmente. Se isso se concretizar, o impacto sobre o mercado mundial da soja será enorme. É possível imaginar os efeitos sobre a produção de soja brasileira. Assim, está mais do que na hora de construirmos novas estratégias de produção, consumo e exportação da oleaginosa.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

17/07/2026 a 23/07/2026


Já está disponível o mais recente informativo da CEEMA-UNIJUÍ.

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segunda-feira, 20 de julho de 2026

PREÇOS DOS GRÃOS PERDEM PARA A INFLAÇÃO (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

Passados 12 meses, verifica-se que o preço nominal dos três principais grãos produzidos no Centro-Sul brasileiro (soja, milho e trigo) não evoluiu, não compensando nem mesmo a inflação oficial do período. Assim, entre julho de 2025 e junho de 2026, enquanto a inflação oficial (IPCA/IBGE) registra 4,64% e a inflação da agricultura brasileira algo entre 6% e 10% (FGV) dependendo da região, os preços pagos aos produtores dos três grãos citados não acompanharam esse percentual. Tomando o Rio Grande do Sul como referência, o preço médio da soja, em julho/25 foi de R$ 122,32/saco, enquanto o preço médio da oleaginosa, em junho/26, ficou em R$ 115,77. Ou seja, o produtor de soja gaúcho, neste período, registrou uma perda real no preço da soja recebido, pois o mesmo deveria ter conseguido o preço médio de R$ 128,00/saco apenas para compensar a inflação oficial. Ou seja, houve uma perda real de R$ 12,23/saco no período. Já em relação ao milho, o preço médio de julho/25 foi de R$ 62,03/saco. Ora, o preço médio de junho/26 ficou em R$ 59,07. Considerando a inflação oficial nos 12 meses analisados, o preço do saco de milho, ao produtor gaúcho, deveria ter fechado o mês de junho/26 em R$ 64,91/saco. Também aqui temos uma perda real, neste caso de R$ 5,84/saco. Enfim, no caso do trigo, a média de preço em julho/25, aqui no Rio Grande do Sul, foi de R$ 70,17/saco. Em junho/26 esta média alcançou a R$ 67,14. Para cobrir apenas a inflação oficial do período o saco de trigo pago ao produtor gaúcho deveria ter alcançado, em junho/26, a média de R$ 73,43/saco. Ou seja, igualmente com o trigo, no período considerado, há uma perda real de R$ 6,29/saco. Mostrando de outra maneira, temos que: na soja, houve uma perda nominal de R$ 6,55/saco, porém, a perda real (considerando a inflação do período) foi de R$ 12,23/saco (quase o dobro da nominal); já no milho, enquanto a perda nominal ficou em R$ 2,96/saco, a perda real atingiu a R$ 5,84; e no trigo, a perda nominal foi de R$ 3,03/saco, enquanto a perda real atingiu a R$ 6,29. E, nos três casos, se formos considerar a inflação agrícola, a perda real seria ainda maior. Tem-se aqui mais um elemento que ajuda a explicar a grande crise que o setor primário gaúcho vem enfrentando atualmente (ver igualmente o comentário anterior).

quinta-feira, 16 de julho de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

PREZADOS AMIGOS

ESTAMOS ENFRENTANDO ALGUNS PROBLEMAS TÉCNICOS E, POR ISSO, O COMENTÁRIO DA SEMANA PASSADA E O DESTA SEMANA, SOBRE O MERCADO DOS GRÃOS, ESTÁ SENDO REGISTRADO AGORA E DE FORMA INCOMPLETA (SEM AS TABELAS DE PREÇOS E COTAÇÕES). ESPERAMOS CORRIGIR ISSO ATÉ O PRÓXIMO COMENTÁRIO. OBRIGADO PELA COMPREENSÃO. ABRAÇOS.

SEMANA DO 10 A 16/07/2026

MERCADO DA SOJA

O primeiro mês cotado, em Chicago, voltou a superar os US$ 12,00/bushel nesta semana, após 35 dias úteis abaixo deste teto. No dia 14/07 o bushel atingiu a US$ 12,07. Já o fechamento desta quinta-feira (16) ficou em US$ 11,95, contra US$ 11,79 uma semana antes. Registrar, também, que o farelo chegou a bater em US$ 323,10/tonelada curta no dia 10/07, recuando posteriormente e fechando o dia 16/07 em US$ 322,90. E o óleo de soja voltou a superar o teto dos 70 centavos de dólar por libra-peso, batendo em 73,04 nos dias 13 e 14 de julho e fechando esta quinta-feira (16) em 72,43 centavos.

O movimento de alta se dá em função das novas tensões bélicas entre Rússia e Ucrânia; ao novo aumento nos preços do petróleo devido ao fracasso do cessar-fogo no Oriente Médio; e a um clima mais quente e seco no Meio-Oeste estadunidense, embora neste último caso a situação tenha melhorado um pouco nesta semana.

O relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado no dia 10/07, foi até baixista para o mercado, porém, acabou não tendo este efeito na prática. O mesmo aumentou a futura colheita dos EUA, para o ano 2026/27, em um milhão de toneladas, com ela ficando estimada em 121,8 milhões de toneladas. Já os estoques finais naquele país foram mantidos em 8,4 milhões. As produções da Argentina e do Brasil foram mantidas em 50 e 186 milhões de toneladas respectivamente. Já a produção mundial passou a 441,7 milhões de toneladas e os estoques finais mundiais ficaram em 124,2 milhões. As importações chinesas foram aumentadas para 115 milhões de toneladas, após 114 milhões em junho.

Por sua vez, as condições das lavouras estadunidenses de soja melhoraram um pouco, atingindo, no dia 12/07, 65% entre boas a excelentes, contra 70% um ano atrás. Outras 27% estavam regulares e 8% estavam entre ruins a muito ruins. Na data indicada, 50% das lavouras estavam na fase de florescimento, contra 34% da semana anterior, 45% do mesmo período do ano passado e 44% da média. Já em formação de vagens estavam 19% das lavouras, contra 9% da semana anterior, 14% em 2025 e 13% na média.

Enquanto isso, o esmagamento de soja nos EUA, no mês de junho, foi de 5,83 milhões de toneladas, segundo informou a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas nesta semana. O volume superou em 16% o esmagado em junho de 2025. Já os estoques estadunidenses de óleo de soja ficaram em 1,5 bilhão de libras, testando as mínimas em oito meses.

E aqui no Brasil, os preços da soja se mantiveram firmes, ensaiando novas altas as quais não se sustentaram devido ao fortalecimento do Real perante o dólar. Efetivamente, a moeda brasileira voltou para R$ 5,07 por dólar, após R$ 5,20 dias atrás.

Com isso, as principais praças gaúchas ficaram em R$ 122,00/saco, enquanto no restante do país as principais regiões registraram valores entre R$ 113,00 e R$ 124,00/saco. Um ano atrás, no Rio Grande do Sul se praticava R$ 121,00 e no restante do país valores entre R$ 107,00 e R$ 125,00/saco. Ou seja, os valores atuais estão praticamente idênticos aos de 12 meses atrás, consolidando uma perda real média (considerando a inflação do período) aos produtores de soja no país.

 MERCADO DO MILHO

As cotações do milho, em Chicago, se mantiveram firmes nesta semana, com o bushel fechando a quinta-feira (16) em US$ 4,41, após ter atingido a US$ 4,47 na véspera, a qual foi a melhor cotação desde o dia 28/05, para o primeiro mês cotado. Uma semana antes o bushel valia US$ 4,27.

A pressão climática nos EUA vem ajudando a este movimento, assim como a forte alta do trigo durante a corrente semana. Lembrando que estamos em pleno mercado do clima nos EUA e no momento mais delicado do desenvolvimento das lavouras do cereal naquele país. Ao mesmo tempo, o aumento das tensões bélicas entre Rússia e Ucrânia, nestes últimos dias, trouxe novas preocupações quanto ao comércio do milho e do trigo junto ao Mar Negro, influenciando as cotações.

Por sua vez, o relatório de oferta e demanda do USDA, do dia 10/07, manteve a produção final dos EUA em 406,4 milhões de toneladas, colocando os estoques finais daquele país, para 2026/27, em 45,5 milhões de toneladas, com pouco mais de quatro milhões de toneladas a menos do que o anunciado em junho. Já a produção mundial do cereal ficou em 1,297 bilhão de toneladas, perdendo três milhões sobre junho, enquanto os estoques finais mundiais ficaram em 275,3 milhões, perdendo seis milhões de toneladas em relação a junho. A produção brasileira é prevista em 139 milhões e a da Argentina em 55 milhões de toneladas.

O USDA também apontou que, no dia 12/07, 68% das lavouras de milho estadunidense estavam entre boas a excelentes condições, contra 67% da semana anterior. Outras 24% estavam em situação regular e 8% em condições ruins ou muito ruins. Por outro lado, 34% das lavouras estavam na fase de pendoamento, contra a média de 30% para o período. Outras 6% estavam na fase de formação de grãos, contra a média de 5%.

Já aqui no Brasil, as altas em Chicago têm pouco efeito, pois o milho nacional responde especialmente a uma realidade do mercado interno. Assim, os preços do cereal, nesta semana, oscilaram entre R$ 42,00 e R$ 60,50/saco conforme as diferentes praças nacionais. No Rio Grande do Sul, os mesmos continuaram em R$ 58,00/saco.

Houve pequeno aumento em diferentes regiões nacionais, em relação à semana anterior, porém, a pressão da colheita da safrinha, que avança bem no país, continua a impedir melhorias substanciais nos preços. Até o dia 10/07 a colheita da safrinha, no Brasil, atingia a 38,9% da área semeada, contra 46,7% na média histórica. Segundo os últimos dados da Conab, anunciados agora em julho, a produção total da safrinha está esperada em 108,4 milhões de toneladas para 2025/26, contra pouco mais de 113 milhões no ano anterior. Já a produção total de milho está, agora, estimada em 140,7 milhões, contra 141,2 milhões de toneladas no ano anterior.

Em particular, no Mato Grosso, a colheita de milho atingiu a 60% da área cultivada na safra 2025/26 na virada da semana, contra a média de 70,6% para esta época. Entretanto, estimativas revisadas apontam para um safra recorde naquele estado, com a safra 2025/26 podendo atingir a 57 milhões de toneladas. Este volume supera os 55,4 milhões da safra anterior. “O avanço se dá exclusivamente com a contabilização de uma produtividade mais alta, já que a área plantada permaneceu inalterada, sendo estimada em 7,39 milhões de hectares, o que representa um aumento de 1,8% no comparativo anual. A produtividade média por hectare passou para 128,6 sacos/ha, superando a do ano anterior, que havia sido de 127,3 sacos (cf. Imea).

Enquanto isso, no Centro-Sul brasileiro a colheita atingia a 40% da área até o dia 09/07 (cf. AgRural).

Já as exportações de milho pelo Brasil, nos primeiros oito dias úteis de julho, atingiram a 519.706 toneladas, com recuo de 38,9% na média diária em relação a todo o mês de julho de 2025. Este baixo ritmo se justificaria devido aos baixos preços do cereal nos portos nacionais. Enfim, o preço médio recebido por tonelada avançou 3% até aqui, saindo dos US$ 205,20 de 2025 para US$ 211,50 no acumulado de julho de 2026.

 E a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) considera a aprovação da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina (E32), pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), um importante avanço para a política nacional de biocombustíveis e para a implementação da Lei do Combustível do Futuro. Afinal, considerando as recentes evoluções do mandato de mistura, em menos de um ano o Brasil acrescentou cinco pontos percentuais ao teor de etanol na gasolina, o equivalente a cerca de 2,25 bilhões de litros anuais adicionais de etanol anidro no mercado nacional. Se, por um lado, este processo tem muitos pontos positivos, por outro lado, se o mesmo não levar a uma redução do preço do litro da gasolina ao consumidor final, este terá prejuízo, pois o álcool diminui a performance quilômetros/litro nos automóveis flex, hoje a grande maioria da frota nacional.

MERCADO DO TRIGO

Em Chicago, o primeiro mês cotado viu sua cotação disparar no dia 15/07, batendo em US$ 6,77/bushel. Esta foi a mais alta cotação desde o dia 31 de maio de 2024, portanto, há mais de dois anos. Lembrando que ainda no final de junho o bushel do cereal esteve cotado em US$ 5,69. Ou seja, em cerca de 15 dias úteis o bushel do cereal ganhou mais de um dólar em Chicago. Já o fechamento desta quinta-feira (16) ficou em US$ 6,74/bushel, contra US$ 6,11 uma semana antes. Aqui, além das questões climáticas mundiais, e a redução da produção nos EUA e problemas climáticos locais (a colheita de trigo nos EUA, prevista para apenas 41,8 milhões de toneladas neste ano, será a menor desde 1970/71), tem-se, ainda, o recrudescimento do conflito entre Rússia x Ucrânia, o qual passou a pesar sobre este mercado, já que a região do Mar Negro é forte produtora e exportadora do cereal.

Por sua vez, o relatório de oferta e demanda, do dia 10/07, reduziu ainda mais a safra estadunidense, com a mesma ficando estimada, agora, em 41,8 milhões de toneladas. Os estoques finais estadunidenses igualmente recuaram, caindo para 19,7 milhões para o ano 2026/27. Já a produção mundial ficou mantida em 820 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais globais seriam de 272,8 milhões, perdendo cerca de três milhões de toneladas sobre junho. A produção da Argentina ficou estimada em 21 milhões de toneladas, enquanto a brasileira em 6,7 milhões. Com isso, estima-se que o Brasil irá importar 7,2 milhões de toneladas neste novo ano comercial.

Aliás, em relação a Argentina, os agricultores locais estão vendendo uma quantidade excepcionalmente baixa de sua nova safra de trigo, mesmo com o plantio avançando rapidamente, informou a Bolsa de Grãos de Rosário, isso devido a preços mais baixos e uma preocupação crescente com a oferta futura. Os agricultores argentinos já teriam semeado 82% da área prevista pelo governo para a safra de trigo 2026/27. No entanto, as vendas da nova safra atingiram apenas 2 milhões de toneladas até o momento, um dos inícios mais fracos da última década. A bolsa informou que o volume contratado representa apenas 10,5% da produção prevista, ficando abaixo da média de cinco anos que é de 16,6% para esta fase. Do trigo já vendido, 690.000 toneladas ainda não têm preço fixado. De fato, os preços do trigo a ser entregue após a colheita caíram acentuadamente. O contrato de dezembro caiu de cerca de US$ 231,00 por tonelada, no final de abril e meados de maio, para cerca de US$ 206,00 no início de julho, levando os agricultores a desacelerar as vendas em vez de fechar negócios a preços mais baixos. Em tal contexto, a Argentina pode acabar com estoques maiores de trigo se as exportações não continuarem fluindo. A Bolsa estimou os estoques finais de 2025/26 em cerca de 4,5 milhões de toneladas, o maior nível desde 2014/15, mesmo com a demanda interna estimada em 9,2 milhões de toneladas e as exportações em um recorde de 19 milhões de toneladas. A Argentina também enfrenta uma concorrência mais acirrada no exterior. Seu preço de exportação do trigo está agora em cerca de US$ 227,00/tonelada, próximo ao de fornecedores rivais, enquanto as grandes safras do Hemisfério Norte estão pressionando os preços globais.

Já no Brasil, a forte redução de área semeada neste ano, somada a possibilidade de problemas climáticos graves devido ao super-El Niño, esperado a partir da primavera, manteve aquecido o mercado. Os preços, junto aos principais produtores nacionais (RS e PR), giraram entre R$ 70,00 e R$ 71,00/saco, porém, lembramos que tais preços já estão estacionados nestes níveis há três semanas nos dois estados. Vale destacar que, em condições normais de clima, o recente boletim da Conab reduziu ainda mais a produção nacional de trigo, com a mesma ficando em apenas 6 milhões de toneladas, após 7,9 milhões no ano anterior. Portanto, bem menos do que o relatório do USDA indicou no último dia 10/07. A área total nacional estaria em 2,04 milhões de hectares, contra 2,44 milhões no ano anterior, ou seja, um recuo de 400.000 hectares plantados com o cereal.

 

 


ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO - Prof. Dr. Argemiro Luís Brum

 PREZADOS AMIGOS

ESTAMOS ENFRENTANDO ALGUNS PROBLEMAS TÉCNICOS E, POR ISSO, O COMENTÁRIO DA SEMANA PASSADA E O DESTA SEMANA, SOBRE O MERCADO DOS GRÃOS, ESTÁ SENDO REGISTRADO AGORA E DE FORMA INCOMPLETA (SEM AS TABELAS DE PREÇOS E COTAÇÕES). ESPERAMOS CORRIGIR ISSO ATÉ O PRÓXIMO COMENTÁRIO. OBRIGADO PELA COMPREENSÃO. ABRAÇOS.

SEMANA DO 03 A 09/07/2026

MERCADO DA SOJA

Em Chicago, as cotações da soja dispararam nesta semana. O primeiro mês cotado bateu em US$ 11,96/bushel no dia 07/07, a mais alta cotação desde o dia 22/05. Salientando que ainda no dia 29/06 a mesma estava em US$ 11,08. Ou seja, em cinco dias úteis nos EUA o bushel da oleaginosa subiu 7,9% (lembrando que dia 03/07 foi feriado naquele país, relativo ao dia de sua independência). Os motivos deste forte aumento foram: as expectativas de clima quente e mais seco sobre as lavouras estadunidenses em julho, o que pode levar a perdas de produtividade; e a volta da China às compras de soja estadunidense, após as reuniões entre Trump e Xi Jinping no mês de maio.

No primeiro caso, é normal, nesta época do ano, a realidade climática pesar sobre o mercado. Por enquanto, ainda é cedo, mas as preocupações ganharam força. A projeção de colheita naquele país se mantém um pouco acima de 120 milhões de toneladas, com a colheita iniciando em fins de outubro. Lembrando que nesta sexta-feira (10) o USDA divulga o seu relatório mensal de oferta e demanda da soja e outros produtos, o qual iremos comentar com detalhes em nosso próximo boletim. O mesmo poderá trazer mudanças nas estimativas da futura colheita nos EUA e no mundo, ano comercial 2026/27, o que mexeria com as cotações em Chicago na próxima semana.

Tanto é verdade que, nesta quinta-feira (09), o primeiro mês cotado naquela Bolsa já cedeu um pouco, na expectativa do relatório. O fechamento ficou em US$ 11,79/bushel, contra US$ 11,31 uma semana antes.

Vale destacar, ainda, que a precária trégua no Oriente Médio não resistiu e a guerra entre EUA e Irã foi retomada nesta semana (aliás, a mesma nunca terminou de fato). Com isso, o preço do óleo de soja voltou a subir em Chicago, puxado pelo petróleo. No dia 08/07 a libra-peso já estava em 71,39 centavos de dólar, após ter recuado para 66,74 no dia 30/06.

Assim, as previsões de temperaturas acima da média e clima mais seco nas próximas semanas nos EUA reaqueceu o mercado da soja. Ajudou para isso o fato de as condições das lavouras da oleaginosa, naquele país, terem caído para 64% entre boas a excelentes, no dia 05/07, contra 66% na semana anterior. Outras 28% estavam regulares e 8% entre ruins a muito ruins. Ainda 34% das lavouras estavam na fase de florescimento, contra 19% da semana anterior, 30% do mesmo período do ano passado e 28% da média. Já em formação de vagens estavam 9% das lavouras, contra 4% da semana anterior, 7% em 2025 e 6% na média.

Além disso, como já foi dito, a China se fez mais presente no mercado comprador de soja estadunidense. Há expectativas de que o país asiático aumente tais compras nos próximos meses. Neste sentido, a empresa chinesa Cofco teria reservado seis navios de soja dos EUA para embarque entre setembro e outubro. Ainda é pouco, mas veio esta sinalização de compra que agradou o mercado e ajudou a aquecer as cotações.

Resta verificar se as duas situações (clima e compras chinesas) não fiquem apenas em fatos de curto prazo.

Pelo sim ou pelo não, o fato é que tal realidade externa puxou os preços da soja, no Brasil, para cima nesta semana. Com um câmbio que girou entre R$ 5,15 e R$ 5,20 por dólar, e prêmios que voltaram a superar um dólar/bushel nos portos brasileiros neste segundo semestre, o preço da soja alcançou os R$ 122,00/saco nas principais praças gaúchas e ficou entre R$ 112,00 e R$ 125,00/saco nas demais praças nacionais. Lembrando que há dois meses os mesmos chegaram a estar entre R$ 98,00 e R$ 114,00/saco. Para comparação, nesta mesma época do ano passado, os preços oscilavam entre R$ 107,00 e R$ 123,00/saco. Ou seja, o mercado melhorou, voltando aos patamares de um ano atrás e, dependendo da praça nacional, até registrando preços um pouco melhores. Mas não há garantias de que isso perdure muito tempo.

“Para o Brasil, o cuidado está no prêmio. Se a China começa a comprar dos EUA, para setembro e outubro, ele volta a pressionar a soja brasileira. Então pode acontecer que Chicago suba e o nosso prêmio não acompanhe. Na prática, compras chinesas são positivas para Chicago, mas o mercado físico brasileiro só melhora de verdade se o prêmio, o câmbio e o comprador caminharem juntos” (cf. Agrinvest Commodities).

No porto de Paranaguá, os indicativos chegaram a variar entre R$ 143,00/saco para agosto, com pagamento em 31 de agosto, até R$ 149,00 para novembro, para soja disponível. Já para 2027, os preços estiveram entre R$ 138,00 a R$ 139,00/saco.

O impacto nas vendas de soja pelos brasileiros foi imediato na semana. Até o dia 08/07 o país havia comercializado quatro milhões de toneladas no período. Com isso, até aquela data o país já havia negociado 71% de sua safra 2025/26, contra 72% na média. Mas ainda assim há muita soja em mãos dos produtores, pois calcula-se um volume de 52 milhões de toneladas, contra pouco mais de 48 milhões no mesmo período do ano anterior. Já para a safa nova havia atraso, com apenas 23% de comercialização realizada. Neste mesmo período do ano anterior, o Brasil já havia negociado 26,5%, enquanto a média é de 27% (cf. Brandalizze Consulting).

 O fato é que, para a soja, neste momento estamos diante dos melhores preços médios nominais do ano em reais.

MERCADO DO MILHO

As cotações do milho, em Chicago, também subiram nesta semana, puxadas pelo anúncio de clima mais seco e quente nos EUA. Porém, as altas foram bem menos intensas do que na soja. O bushel do cereal chegou a US$ 4,42 no dia 07/07, recuando para US$ 4,27 no fechamento da quinta-feira (09), contra US$ 4,25 uma semana antes. Aqui também o mercado esteve na expectativa do relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para o dia 10/07, o qual iremos comentar em detalhes no próximo boletim.

Por sua vez, até o dia 05/07 o USDA informou que 67% das lavouras de milho estavam entre boas a excelentes, mantendo o percentual da semana anterior, enquanto outras 25% estavam regulares e 8% em condições entre ruins a muito ruins. Já 16% das lavouras estavam na fase de pendoamento, contra 14% na média. Outras 3% se encontravam na fase de formação de grãos, contra 2% na média.

E no Brasil os preços continuam pressionados pela colheita da segunda safra. No Rio Grande do Sul o valor médio de R$ 58,00/saco se manteve, enquanto no restante do país os valores oscilaram entre R$ 40,00 e R$ 60,00/saco.

Enquanto isso, a colheita da safrinha de milho 2026, até o dia 02/07, chegava a 30% da área cultivada no Centro-Sul do Brasil, contra 28% um ano atrás (cf. AgRural). Já no Brasil todo, segundo a Conab, esta colheita atingia 28,5% até o dia 03/07, contra a média de 34,5%. Os estados mais adiantados com a colheita eram, naquela data, Mato Grosso (51,1%), Maranhão (50%), Tocantins (40%), Piauí (30%), Minas Gerais (11%), Goiás e Paraná (5%), Mato Grosso do Sul (4%) e São Paulo (3%).

Por outro lado, os grãos secos de destilaria, também conhecidos como DDG, subproduto gerado a partir da produção de etanol de milho, ganham cada vez mais importância na cadeia do milho, Brasil afora. O setor já consome cerca de 20 milhões de toneladas de milho por ano para a produção de aproximadamente 10 bilhões de litros de etanol, volume que representa cerca de um quarto de toda a produção nacional do biocombustível. Somente em Mato Grosso, as usinas consomem aproximadamente 13,5 milhões de toneladas de milho anualmente.

Enfim, as exportações brasileiras de  milho fecharam o mês de junho com um volume de 435.498 toneladas, volume 17,8% superior ao mês de junho do ano passado. Lembrando que o maior volume de exportação ocorre no segundo semestre. Em junho, o preço médio da tonelada exportada ficou 6,7% menor do que o registrado no mesmo mês de 2025, ao atingir US$ 235,40. Já nos primeiros três dias úteis de julho o país exportou 120.311 toneladas, com a média diária caindo 62,1% sobre a média de todo o mês de julho do ano passado. Em todo o mês de julho de 2025 o Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas de milho (cf. Secex).

 MERCADO DO TRIGO

 O primeiro mês, em Chicago, voltou a subir um pouco, chegando a bater em US$ 6,09/bushel no dia 07/07. Na sequência da semana o mesmo oscilou bastante, fechando em US$ 6,11/bushel a quinta-feira (09), contra US$ 5,90 uma semana antes.

 Dito isso, a colheita estadunidense do trigo de inverno atingia a 59% da área, contra a média de 51%, em 05/07. Enquanto isso, as condições das lavouras a serem colhidas ainda estavam com 47% entre ruins a muito ruins, 27% regulares e 26% entre boas a muito boas. Já as condições das lavouras do trigo de primavera, na mesma data, se apresentavam com 57% entre boas a excelentes, 36% regulares e apenas 7% entre ruins a muito ruins.

 Por outro lado, na Argentina, a safra de trigo 2026/27 deve atingir 20,5 milhões de toneladas, segundo a Bolsa de Grãos de Rosário. Ela manteve sua estimativa para a safra de soja de 2025/26 em 51,5 milhões de toneladas e sua estimativa para a produção de milho de 2025/26 em 68 milhões de toneladas no vizinho país.

 E no Brasil, os preços do cereal se mantiveram estáveis, oscilando entre R$ 70,00 e R$ 71,00/saco nas principais praças gaúchas e paranaenses. A oferta de trigo de qualidade superior é pequena, o que aquece o mercado. Por outro lado, os moinhos estariam abastecidos “e sem necessidade de adquirir grandes volumes no curto prazo, priorizando negociações de lotes da safra nova, com entrega prevista entre setembro e outubro de 2026. Os vendedores que ainda dispõem de volumes, sobretudo em São Paulo, onde a disponibilidade é mais escassa, buscam negociar o cereal a preços mais elevados (cf. Cepea).

 Enfim, com a entrada do inverno no sul brasileiro se destacam duas preocupações: as atuais geadas, que podem atingir os trigais paranaenses, resultando em quebra de safra, enquanto o fenômeno ainda é positivo no Rio Grande do Sul; e a previsão de muita chuva a partir da segunda quinzena de julho, fato que poderá prejudicar as lavouras gaúchas em particular. De fato, a partir de agora, o clima no sul do país ganha uma grande importância junto ao mercado do trigo. Lembrando que a colheita nacional começa em setembro pelo Paraná. Além disso, diante da forte redução de área semeada, qualquer quebra de safra, por motivos climáticos, poderá ser uma forte alavanca para a alta nos preços do trigo para o final do ano.

 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

A INFLAÇÃO OFICIAL E A REALIDADE (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

A inflação oficial (IPCA) recuou, em junho, para 0,16%, contra 0,58% em maio e 0,24% em junho/25. No entanto, diante da meta estabelecida pelo governo federal (3% como centro e 4,5% como teto desta meta) a inflação continua preocupando. Afinal, nos últimos 12 meses terminados em junho a inflação ficou em 4,64%. E o segundo semestre não tem indicativos de melhoras suficientes para, por exemplo, acelerar a redução da Selic até o final do ano, diante das pressões eleitorais. Também porque o quadro externo não melhora, com o conflito no Oriente Médio voltando a ficar mais acirrado e a iminência de novo tarifaço dos EUA. Além disso, o IPCA é uma média ponderada nacional e, em muitos casos, não reflete a real inflação dos brasileiros. Peguemos o caso dos produtores de soja no Rio Grande do Sul. Em 2020, o preço médio da soja gaúcha, no balcão, estava em R$ 102,03/saco no final de junho. Pela inflação oficial, este preço deveria estar hoje em R$ 146,99/saco, ou seja, um aumento de 44,07%. Ora, o mesmo fechou junho/26 na média de R$ 116,35, consolidando uma perda real significativa. Enquanto isso, os custos de produção dispararam, puxados pelos efeitos da pandemia, da guerra Rússia x Ucrânia, pelos tarifaços de Trump e, mais recentemente, pela guerra EUA x Irã. Alguns exemplos: o diesel S-10, em junho/20, esteve em R$ 3,02/litro na média gaúcha. Em junho/26, esta média foi de R$ 6,98/litro, ou seja, um aumento de 131,1% (e isso que o governo subsidia fortemente o produto devido à alta do petróleo, provocada pela guerra no Oriente Médio, subsídio este que é de R$ 1,12/litro no momento). Já o MAP 11-52 passou da média de R$ 2.200,00/tonelada em junho/20 para R$ 4.850,00 na média de junho/26. Um aumento de 120,4% no período. Ou seja, o primeiro subiu 2,97 vezes acima da inflação e o segundo 2,73 vezes. Essa realidade ocorre em diferentes setores da economia, inclusive no setor de alimentação junto a muitos produtos. De forma geral, cada um tem a sua inflação mensal, a qual precisa ser controlada, sendo o IPCA uma referência, especialmente para o governo tomar decisões. Embora não explique, sozinha, a inadimplência brasileira em geral e a crise financeira do setor primário em particular, tal realidade, que vem de anos, é um dos componentes do problema econômico-financeiro que não podemos ignorar.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

OS LIMITES DO DESENROLA 2.0 (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

Estudo da FGV, a partir de dados da Serasa (Conjuntura Econômica, maio/26, pp. 54-63), mostra que 82,8 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em março/26. O Desenrola 2.0, pelos seus critérios, atinge apenas 27,7 milhões de pessoas daquele total. São consumidores que não têm poupança e tomam crédito sem garantia, portanto, mais caro. No total, são R$ 100 bilhões em contas atrasadas. Lembrando que 70% da população ocupada no país ganha até dois salários mínimos, sendo que do total do crédito concedido para pessoa física, no sistema financeiro, esse grupo representava 25,4% (o percentual passa a 34% no rotativo do cartão de crédito, com juro superior a 400% ao ano, com a inadimplência desse grupo chegando a 67%). E cada CPF carrega a média de quatro dívidas atrasadas com valor médio somado de R$ 6.720,00 (mais do que o dobro da renda mensal da grande maioria). Tem-se, ainda, que 85% das novas negativações vieram de consumidores que já haviam estado inadimplentes, com um intervalo médio de 74 dias entre uma dívida negativada e outra. Além disso, 42% dos inadimplentes em 2026 já estavam nessa condição há 10 anos. São 34 milhões de brasileiros presos nesta realidade, onde o Desenrola, sozinho, não consegue romper. Soma-se a isso “a percepção de que atrasar dívidas pode se tornar racional diante da expectativa de futuros programas com grandes descontos, gerando ainda uma sensação de injustiça entre os consumidores que mantêm os pagamentos em dia”. Portanto, o Desenrola 2.0 é um paliativo, pois ajuda no curto prazo, porém, não resolve estruturalmente o problema. O fato de o mesmo ser lançado apenas três anos depois do primeiro “Desenrola” já comprova isso. É preciso ir além, tornando nossa macroeconomia estável, para que se consiga reduzir os juros (para isso, a pressão inflacionária, especialmente movida pelo gasto público sem limites, precisa parar); termos um sistema eficiente de formação, onde a educação financeira ganhe de fato espaço; criarmos regulamentações adequadas para reduzir riscos comportamentais movidos pelas propagandas de compras fáceis, jogos de azar desenfreados e ilusórios etc, revertendo uma realidade onde, hoje, dívidas e despesas diárias já comprometem a renda de 70,5% dos brasileiros, deixando-os longe do bem-estar financeiro. 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

 19/06/2026 a 25/06/2026


Já está disponível o mais recente informativo da CEEMA-UNIJUÍ.

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ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

 26/06/2026 a 02/07/2026


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