O Brasil, infelizmente, vem registrando um número cada vez maior de recuperações judiciais, muitas seguidas de falência. No primeiro semestre de 2026 as recuperações judiciais cresceram 6,2% e nos 12 meses encerrados em junho o crescimento foi de 21%. A origem desta situação se encontra no pesado fardo estatal que a sociedade brasileira precisa sustentar. União, muitos Estados, municípios e estatais funcionam com grande desperdício, amadorismo gerencial, privilégios, desvios e corrupção, constantemente denunciados na imprensa nacional. Os três poderes da República agem como se estivessem “em outro mundo”, historicamente acumulando rombos fiscais importantes, fazendo disparar a dívida pública, hoje praticamente impagável. Para sustentar esse descalabro o Estado se vale de impostos. Atualmente, a carga tributária gira ao redor de 32,4% do PIB nacional, forçando os brasileiros a trabalharem cinco meses por ano somente para sustentar o Estado. Como o retorno em serviços públicos de qualidade é quase nulo, o custo social de tal carga é muito maior. Para comparação, a carga tributária média nos países da América Latina e Caribe é de 21% e nos países ricos da OCDE, onde os serviços públicos são de excelência na maioria deles, é de 34%. Assim, baixa a taxa de investimento de um lado e sobe a pressão inflacionária pelo outro lado. A inflação subindo, o Banco Central aumenta o juro básico para segurá-la. Hoje, com Selic a 14% aa, não há economia que resista. Para funcionar, o governo oferece isenções fiscais, aumentando o rombo e gerando um círculo vicioso. O montante total de benefícios e isenções fiscais, projetado para o Brasil em 2026, é de aproximadamente R$ 903 bilhões (cf. Unafisco Nacional). Destes, cerca de R$ 620 bilhões são classificados por auditorias fiscais como privilégios ou gastos tributários sem contrapartida social direta comprovada. Assim, em primeiro lugar deveria estar a reforma administrativa, visando baixar o custo do Estado; em segundo a reforma fiscal, acompanhada da tributária. Mas, a turma “do privilégio adquirido”, que se perpetua no poder, qualquer que seja o governo, só “deixa” mexer onde e como lhe interessa, mantendo a sociedade brasileira amordaçada economicamente. Estamos no limite. Logo mais o ajuste, pelo custo da falta de juízo econômico, será pela dor e azar de quem não puder suportá-lo.
ATENÇÃO:
Não teremos esta Coluna de Economia nas semanas do 7 e 14 de setembro em função de que estarei em Paris (França), ministrando aulas em universidades e participando de Congresso. Retomo minha coluna neste espaço na semana do 21 de setembro. Obrigado pela compreensão. Abraços.