No contexto da geoeconomia mundial, há algumas décadas o mundo se preocupa com a relação EUA/China. Especialmente porque os chineses detinham as maiores reservas do mundo em títulos estadunidenses, sustentando o “trem de vida” dos EUA. Duas perguntas sempre assombraram o setor econômico-financeiro internacional desde então: 1) o que aconteceria se os chineses deixassem de comprar os títulos estadunidenses (praticamente não há, no mundo, outro país com poder econômico suficiente para substituir a China neste movimento)? 2) e se os chineses decidissem resgatar os títulos estadunidenses (até então, mais de três trilhões de dólares em suas mãos)? Uma terceira pergunta se impunha: e se os EUA, neste equilíbrio de forças, decidissem diminuir as compras de produtos chineses, as quais sustentam, em boa parte, o boom econômico chinês, iniciado em meados de 1980, quando de sua abertura econômica para o mundo? Pois bem, os EUA, através de Trump, já em seu primeiro mandato (2017-2020) iniciou uma guerra comercial contra os chineses, através de imposições tarifárias elevadas, a qual foi aprofundada no seu atual mandato (aliás, o mesmo tem comprado “briga” comercial com o mundo inteiro). Ocorre que, desta vez, a China reagiu. Em surdina, seu governo “recomendou” a seus bancos que reduzam as compras de títulos do Tesouro estadunidense. O resultado sobre a economia e o dólar estadunidense foi imediato: os dois perderam força no cenário global, havendo hoje uma fuga do dólar. Ou seja, este não é mais um valor refúgio em épocas de crise, o que levou a uma forte desvalorização global do mesmo. Isso explica, em boa parte, a forte valorização do Real, pois nossos altos juros atraíram parte destes dólares. Em síntese: a China passou ao terceiro lugar na posse de reservas em títulos estadunidenses; seu movimento provocou uma corrida pelo ouro, este sim se mantendo como valor refúgio (entre fev/25 e fev/26 a onça-troy de 31,1 gramas, passou de US$ 2,9 mil para mais de US$ 5,0 mil no mercado mundial); e, o mais importante, abriu uma brecha ainda maior para que o dólar, no futuro, venha a ser substituído por outra moeda como referência mundial. Isso ocorre pela primeira vez desde os acordos de Bretton Woods, em 1944, que selaram o novo mundo pós-Segunda Guerra Mundial. Estamos diante de mais um movimento de reposicionamento da geopolítica e geoeconomia mundial, o qual atinge a todos nós de forma estrutural.
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
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