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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

A DÍVIDA PÚBLICA QUE NOS CONSOME (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

Uma das maiores preocupações mundiais na atualidade são os crescentes déficits fiscais que aumentam a dívida pública e colocam os países em coma financeiro. Os investidores exigem uma taxa cada vez maior para emprestarem aos Estados endividados, dentre eles o Brasil, fato que aumenta automaticamente a dívida pública, mas também o crédito imobiliário e o financiamento às empresas, colocando o mundo no centro de uma zona de forte turbulência diante do aumento das taxas de juro a longo prazo. Assim, a atualidade nos diz diretamente que a dívida tem um preço. Se o aumento da taxa do juro básico permite combater a inflação, essa última é alimentada pelo avanço da dívida pública, a qual aumenta toda vez que o juro sobe, gerando um círculo vicioso. Isso leva os investidores a duvidar da solvabilidade dos Estados e de sua capacidade de pagamento. Com isso, os empréstimos ficam mais caros, atingindo em cheio os consumidores e as empresas, o que leva a um alto grau de inadimplência. E essa é uma preocupação em todas as partes do mundo. No caso do Brasil, ou se faz um ajuste fiscal profundo ou nos próximos dois anos a crise em que já estamos entrará em um estágio sem precedentes, seguida de recessão econômica. Torna-se mais do que urgente cortar despesas públicas, assumindo escolhas difíceis, pois nosso setor público está amordaçado, não podendo financiar adequadamente prioridades para o desenvolvimento, tais como educação, saúde, infraestrutura, moradia etc, obrigando os brasileiros a trabalharem apenas para pagarem o endividamento estatal. Para sairmos desse impasse o ajuste fiscal é prioridade junto aos três poderes da República, deixando de lado os interesses políticos que estão nos levando para além do fundo do poço. A situação é tão grave que a própria democracia tem sido posta em xeque nos últimos anos. E não adianta culpar os mercados financeiros, pois a irresponsabilidade está na gestão dos gastos públicos. Estes mercados apenas nos lembram que nenhuma despesa pública é gratuita, não havendo solução mágica, se as pessoas, empresas e os Estados insistem em gastar mais do que recebem. Hoje, começamos a pagar pelos cortes de despesas que não tivemos coragem de fazer no passado. E a conta é enorme, podendo nos consumir, em termos de crescimento econômico, por longos anos.

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