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segunda-feira, 13 de julho de 2026

A INFLAÇÃO OFICIAL E A REALIDADE (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

A inflação oficial (IPCA) recuou, em junho, para 0,16%, contra 0,58% em maio e 0,24% em junho/25. No entanto, diante da meta estabelecida pelo governo federal (3% como centro e 4,5% como teto desta meta) a inflação continua preocupando. Afinal, nos últimos 12 meses terminados em junho a inflação ficou em 4,64%. E o segundo semestre não tem indicativos de melhoras suficientes para, por exemplo, acelerar a redução da Selic até o final do ano, diante das pressões eleitorais. Também porque o quadro externo não melhora, com o conflito no Oriente Médio voltando a ficar mais acirrado e a iminência de novo tarifaço dos EUA. Além disso, o IPCA é uma média ponderada nacional e, em muitos casos, não reflete a real inflação dos brasileiros. Peguemos o caso dos produtores de soja no Rio Grande do Sul. Em 2020, o preço médio da soja gaúcha, no balcão, estava em R$ 102,03/saco no final de junho. Pela inflação oficial, este preço deveria estar hoje em R$ 146,99/saco, ou seja, um aumento de 44,07%. Ora, o mesmo fechou junho/26 na média de R$ 116,35, consolidando uma perda real significativa. Enquanto isso, os custos de produção dispararam, puxados pelos efeitos da pandemia, da guerra Rússia x Ucrânia, pelos tarifaços de Trump e, mais recentemente, pela guerra EUA x Irã. Alguns exemplos: o diesel S-10, em junho/20, esteve em R$ 3,02/litro na média gaúcha. Em junho/26, esta média foi de R$ 6,98/litro, ou seja, um aumento de 131,1% (e isso que o governo subsidia fortemente o produto devido à alta do petróleo, provocada pela guerra no Oriente Médio, subsídio este que é de R$ 1,12/litro no momento). Já o MAP 11-52 passou da média de R$ 2.200,00/tonelada em junho/20 para R$ 4.850,00 na média de junho/26. Um aumento de 120,4% no período. Ou seja, o primeiro subiu 2,97 vezes acima da inflação e o segundo 2,73 vezes. Essa realidade ocorre em diferentes setores da economia, inclusive no setor de alimentação junto a muitos produtos. De forma geral, cada um tem a sua inflação mensal, a qual precisa ser controlada, sendo o IPCA uma referência, especialmente para o governo tomar decisões. Embora não explique, sozinha, a inadimplência brasileira em geral e a crise financeira do setor primário em particular, tal realidade, que vem de anos, é um dos componentes do problema econômico-financeiro que não podemos ignorar.

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