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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

NOVO ANO, DESAFIOS IMENSOS (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

2026 iniciou repleto de acontecimentos, começando com a invasão da Venezuela e ameaças à Groenlândia e Irã, até o acordo UE-Mercosul, passando pela crise do Banco Master e a elevada Selic no Brasil. Todos com efeitos econômicos. Assim, entramos em ano eleitoral com muito a nos preocuparmos, diante dos problemas externos e internos que se multiplicam e acirram. Dentre eles, destaca-se o crescente déficit público brasileiro, que será agravado em 2026 (puxado pelas eleições), sendo que 2027, continuando neste ritmo, será o ponto de não retorno em relação a inviabilização das contas públicas nacionais. O PIB brasileiro será apenas de 1,6% em 2026 (cf. FMI), quando o necessário seria 4%, freado por uma taxa básica de juros em 15% aa (devendo fechar o ano ainda em 12%). Isso ocorre para segurar uma inflação que disparou nos últimos anos e, mesmo voltando à casa dos 4,26% em 2025 (abaixo do teto da meta) ainda se encontra longe do objetivo (centro da meta) que é 3%. Inflação cuja a causa central está na histórica ineficiência do Estado, com os poderes públicos gastando acima das possibilidades, e gastando mal. Isso freia o país, gerando crises cada vez mais profundas. Em 2025 o déficit público real brasileiro foi de 0,48% do PIB ou R$ 61,7 bilhões, quando o arcabouço fiscal “permitia”, já com os ajustes casuísticos, um déficit de 0,25% do PIB. Em tal contexto, a dívida bruta do país atingiu a R$ 10 trilhões ou 78,7% do PIB. Projeções dão conta de que nos próximos dois anos ela chegue perto de 100% do PIB. Mesmo assim os poderes públicos nacionais (executivo, legislativo e judiciário) continuam gastando de forma irresponsável. Um terço dos municípios brasileiros já atrasa pagamentos e inicia 2026 sem recursos para as despesas básicas, enquanto no Congresso Nacional a farra das emendas parlamentares se avoluma, tanto que no Orçamento está previsto R$ 61 bilhões para este fim em 2026, contra R$ 50 bilhões em 2025 e apenas R$ 1,5 bilhão em 2015. Esse rombo (e existem muitos outros) supera em mais de duas vezes os prejuízos causados pelos desastres climáticos no país em 2025 (os mesmos teriam sido de R$ 28 bilhões segundo relatório da Aon, corretora e consultora de riscos com sede no Reino Unido) e praticamente empatam com os R$ 62,8 bilhões de 2024 (em valores atualizados), quando houve o desastre climático no RS.   

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