Chegamos em meados de abril/26 com o Real valendo R$ 4,99 por dólar, após R$ 6,21 no início de 2025. A moeda brasileira registra, hoje, a sexta maior alta entre 116 moedas mundiais, tendo somente nos primeiros três meses e meio do corrente ano acumulado alta de 9%. Dentre as razões está o fato de que Trump, em seu segundo mandato, apequenou a economia estadunidense. Suas decisões e discursos têm gerado enorme instabilidade, enfraquecendo o dólar. A confiança dos investidores foi minada, com o dólar perdendo espaço como valor refúgio. Isso fortaleceu as moedas emergentes, mesmo em países considerados de risco. Tanto é verdade que o peso argentino foi o que mais se valorizou, seguido da moeda do Cazaquistão e da Colômbia. Ao mesmo tempo, o juro básico no Brasil continua elevado. Os 14,75% ao ano são muito mais interessantes do que o juro básico dos EUA, hoje entre 3,5% e 3,75%. Isso atrai dólares para o Brasil! Entre janeiro e o 10/04 do corrente ano, a entrada de investimentos estrangeiros em nosso país atingiu a US$ 67,4 bilhões, contra US$ 25,4 bilhões em todo o ano de 2025. Por sua vez, a guerra, desta vez, melhorou o saldo comercial brasileiro. Como nestes últimos quatro anos o Brasil se tornou exportador líquido de petróleo, graças ao pré-sal, a guerra levou a um aumento médio no preço do petróleo, ao redor de 50%, e ao fechamento do Estreito de Ormuz (20% do petróleo mundial passa por ali) aumentando a demanda mundial pelo petróleo brasileiro. Apenas em março nossas exportações do insumo subiram 70,4% em relação a março/25. Mais dólares entrando, mais forte o Real. Mas, até quando? Pela paridade de poder de compra, o atual valor do Real se aproxima do ponto de estabilização. Além disso, em terminando a guerra no Oriente Médio os preços do petróleo devem recuar. Enfim, além da possibilidade de o Copom baixar um pouco mais o juro durante o ano, a partir de julho teremos os efeitos das eleições brasileiras de outubro sobre o Real. A questão é: a soma destes elementos, em quanto poderá desvalorizar o Real futuramente? Difícil saber, porém, existe uma certeza: nos últimos anos o país está muito melhor preparado, especialmente em reservas cambiais, para fazer frente a ataques contra sua moeda, desde que ações político/eleitoreiras não se abatam sobre a gestão do Banco Central.
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segunda-feira, 20 de abril de 2026
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