Não é de agora o alerta que, apesar de o mercado de trabalho brasileiro apresentar desempenho positivo nos últimos anos, as pessoas e famílias não sentem melhoria equivalente na percepção de bem-estar econômico. A elevada inadimplência existente no país confirma isso, além de outros fatores. Ao contrário do que se podia imaginar, tem-se, portanto, “uma população que não sentiu tanto a melhora dos indicadores do mercado de trabalho pela mudança estrutural e a alta dos alimentos; que contém uma parcela grande de famílias muito endividadas; e que se beneficia menos do que o previsto com a isenção de IR até R$ 5 mil (e redução até R$ 7.350)”. Especificamente no que diz respeito à isenção do IR, pesquisa divulgada em maio de 2026 “mostra que 45% dos brasileiros dizem não ter sentido diferença com a isenção do IR, e apenas 21% reportam que a renda cresceu significativamente. Quando se abre por renda, a faixa que tem a maior parcela (25%) reportando um significativo aumento de renda com a isenção do IR é a que ganha até dois salários mínimos, mas são pessoas que já eram isentas do IR antes da medida do ano passado” (cf. Genial-Quaest). Segundo estudo da FGV, “para quem ganha R$ 3.500 por mês (uma grande maioria da população), por exemplo, o ganho com a isenção até R$ 5 mil é de R$ 39,80 por mês (redução do desconto na fonte), ou equivalente a 1,1% da renda”. O estudo indica que, mesmo para os mais beneficiados pela isenção, considerando a inflação superior a 4%, o ganho é relativamente pequeno. “Em tese, os beneficiários potenciais da isenção de IR são 21,6 milhões de pessoas. Porém, como a isenção e redução do IR este ano só se aplica a pessoas com vínculo empregatício CLT (emprego com carteira assinada, com retenção do imposto na fonte), o contingente de beneficiados cai para 8,8 milhões. Destes, presentes em quase todas as faixas de renda, o ganho com isenção de IR é inferior à inflação. O contingente com algum ganho além da inflação se reduz a 1,7 milhão, quando se considera quem tem emprego com carteira assinada. É pouco para um país em que a população ocupada supera os 100 milhões de brasileiros” (cf. Conjuntura Econômica, FGV, julho/26, pp. 6-11). Assim como a reforma tributária e outras medidas, esta vai no bom sentido, porém, ainda é largamente insuficiente.
PS: lembro a todos que, em função de agenda no exterior, não postarei meus comentários entre os dias 1º e 20 de setembro. Retornaremos a fazê-lo no dia 21/09. Obrigado.