Neste mês de março, entre a guerra no Oriente Médio e o escândalo do Banco Master, foi divulgado o PIB de 2025, o qual passou quase despercebido. Entretanto, seus indicativos são importantes. O mesmo recuou para 2,3%, após 3,4% em 2024, sendo o PIB anual mais baixo nos últimos cinco anos. Não é uma surpresa. O Banco Central trabalhou para isso na medida em que a taxa básica de juros (Selic) chegou a 15% aa em 2025. Outro aspecto é que, mais uma vez, este PIB só não foi menor porque a agropecuária o sustentou, fechando o ano com crescimento de 11,7%, apesar das perdas no Rio Grande do Sul (o PIB gaúcho teria subido apenas 1,7% no ano passado, com a agropecuária local recuando 6,9% segundo o IBCRRS). Os dois outros setores da economia também cresceram, porém, bem menos (1,4% para a indústria e 1,8% para os serviços). Mesmo assim, apesar de crescimento menor, 2025 é o quinto ano seguido de expansão da economia, após o desastre provocado pela pandemia em 2020. Outra informação relevante é que o consumo das famílias diminuiu para 1,3% de crescimento, após 5,1% em 2024. Ou seja, com alto endividamento e inadimplência, e uma inflação que recuou, porém, não na velocidade desejada, as famílias frearam seu consumo, ou seja, “apertaram o cinto”. Já os investimentos, após atingirem a 7,6% em 2024, recuaram para 2,9% em 2025, indicando menos capacidade de crescimento no futuro e a dificuldade das empresas diante do quadro de altos juros praticados. Aliás, as taxas de investimento e poupança continuam muito baixas, quando comparadas com o ideal de 25% do PIB para ambas. No caso dos investimentos, a mesma recuou para 16,8% em 2025, contra 16,9% em 2024, enquanto a da poupança subiu levemente, atingindo a 14,4% do PIB no ano passado, contra 14,1% em 2024. Além disso, nos dois últimos trimestres do ano passado o PIB registrou estagnação, crescendo apenas 0% e 0,1% respectivamente, mostrando que a economia travou. Soma-se a isso duas outras informações significativas: 1) o PIB, em valores correntes, chegou a R$ 12,7 trilhões em 2025, enquanto a dívida pública bruta atingiu a R$ 10 trilhões, ficando em 78,7% do PIB, contra 76,3% um ano antes e apenas 51,8% em 2010. A falta de controle nos gastos públicos tende a piorar este cenário nos próximos anos, comprometendo o crescimento econômico; 2) o PIB per capita chegou a R$ 59.687,49. Ora, considerando que a renda média do brasileiro é de R$ 2.316,00/mês ou R$ 27.792,00 em 12 meses, temos a confirmação da forte concentração de renda existente no país, algo que é histórico, apesar de uma tímida melhora nos últimos anos. Afinal, esta renda média é apenas 46,6% do PIB per capita de 2025.
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segunda-feira, 16 de março de 2026
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