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segunda-feira, 30 de março de 2026

INFLAÇÃO BAIXOU, MAS NÃO PARA TODOS (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

Com o aumento constante do juro básico (Selic) desde setembro de 2024, era de se esperar que a inflação brasileira baixasse em 2025. Assim, saímos de um IPCA (índice que mede a inflação oficial) de 4,83% em 2024 para 4,26% em 2025, fechando abaixo do teto da meta (4,5%) e sendo a menor inflação desde 2018. Entretanto, como sentimos no dia a dia, ela não recuou da mesma forma para todos os grupos familiares. Para muitos brasileiros a sensação de custo de vida elevado continuou existindo ao término do ano passado. Por quê? Um primeiro elemento se encontra no comportamento do câmbio. O Real se valorizou em boa parte do ano e, quando isso acontece, o mesmo “ajuda a conter o avanço de preços em vários segmentos, especialmente nos bens mais expostos ao comércio internacional”. Com isso, exportar ficou mais caro! Somando-se ao tarifaço de Trump, muitas empresas redirecionaram seus produtos ao mercado interno, derrubando preços locais. Por sua vez, importar ficou mais barato, ajudando a segurar os preços internos. Mas foi na agropecuária que se deu o principal alívio na inflação brasileira em 2025. O clima ajudou e a produção de alimentos cresceu, derrubando os preços da alimentação à domicílio, a qual tem “grande peso no índice geral”. Assim, se de um lado a alimentação no domicílio e bens duráveis caminharam para taxas próximas da meta, pelo outro lado serviços e preços monitorados pelo governo permaneceram resistentes. Com isso, no ano passado a inflação recuou, porém, caiu concentrada em grupos de produtos que, embora relevantes, não são os que mais pesam no dia a dia das famílias. Ou seja, pode-se dizer que a desinflação está em andamento, mas ainda não se consolidou de forma ampla (e talvez não aconteça devido a nova guerra no Oriente Médio). Além disso, “a inflação mais persistente costuma estar associada a fatores estruturais: dinâmica do mercado de trabalho, inércia contratual e expectativas, e quando o alívio vem concentrado em poucos grupos, como agora, o risco é que ele se reverta ou se esgote rapidamente”. Desta forma, para 2026, “a inflação pode até continuar melhorando nos números, mas seguirá incomodando no cotidiano, pois, como se viu em 2025, “ela pode cair, e ainda assim não parecer baixa” para boa parte da população (Cf. Conjuntura Econômica, FGV, janeiro/26, pp. 60-62). 

quinta-feira, 26 de março de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

 20/03/2026 a 26/03/2026


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segunda-feira, 23 de março de 2026

CRISE NOS COMBUSTÍVEIS: CONSIDERAÇÕES (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

Apesar de sermos, hoje, o sétimo produtor mundial de petróleo, não impedimos mais uma crise nos combustíveis, a partir da guerra no Oriente Médio. Parte da explicação está no fato de que nossa capacidade de refino não é suficiente para dar conta da crescente demanda interna. Assim, somos obrigados a importar 30% do diesel que consumimos, mesmo que o uso do biodiesel, desde 2006, tenha aliviado o quadro. A gasolina é menos atingida, graças à mistura de etanol em 30% e um consumo menor (em 2025 o país consumiu 69,47 bilhões de litros de diesel B, que inclui a mistura de biodiesel, e 46,65 bilhões de litros de gasolina C, que inclui a mistura de etanol anidro). Por outro lado, em sendo os combustíveis controlados pela Petrobrás (detém 86% do refino de petróleo no país), e o governo buscando segurar a inflação, a estatal reluta em repassar a integralidade das altas de preços do petróleo mundial (o Brent, nesta semana, girava entre US$ 110,00 e US$ 120,00/barril, com aumento de 50 a 60 dólares em relação ao início do ano). Com isso, os distribuidores seguram o produto nos estoques, pois muitos importam o diesel e não estariam conseguindo repassar a diferença de preços e outros tantos especulam, segurando o produto visando um aumento de seus lucros. Assim, mesmo não havendo falta do insumo, na prática os preços dos combustíveis disparam, especialmente no caso do diesel. Em tal contexto, a inflação de março e meses seguintes será importante. Com isso, o Copom poderá, em sua reunião de maio, repensar e manter os 14,75%aa ou, até mesmo, retornar aos 15%. Dito isso, duas considerações adicionais: 1) o governo brasileiro, ao não repassar as altas do petróleo, deixa de resolver o problema estrutural de sua crise fiscal. Afinal, “se a Petrobrás seguisse o preço internacional do petróleo, em este se mantendo ao redor de US$ 100,00/barril, o governo acabaria com o déficit fiscal e geraria até um superávit primário” (ZH,16/03/26, p.11). Claro, a inflação subiria fortemente, exigindo medidas duras de contenção, porém, a alta seria momentânea. Por quê? 2) segundo especialistas, terminada a guerra, o petróleo tende a ficar mais barato do que estava antes do conflito, já que antes do mesmo a Agência Internacional de Energia indicava que a oferta do insumo cresceria de duas a três vezes mais do que o aumento da demanda. 

quinta-feira, 19 de março de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

 13/03/2026 a 19/03/2026


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segunda-feira, 16 de março de 2026

PIB 2025 DENTRO DA LÓGICA (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

Neste mês de março, entre a guerra no Oriente Médio e o escândalo do Banco Master, foi divulgado o PIB de 2025, o qual passou quase despercebido. Entretanto, seus indicativos são importantes. O mesmo recuou para 2,3%, após 3,4% em 2024, sendo o PIB anual mais baixo nos últimos cinco anos. Não é uma surpresa. O Banco Central trabalhou para isso na medida em que a taxa básica de juros (Selic) chegou a 15% aa em 2025. Outro aspecto é que, mais uma vez, este PIB só não foi menor porque a agropecuária o sustentou, fechando o ano com crescimento de 11,7%, apesar das perdas no Rio Grande do Sul (o PIB gaúcho teria subido apenas 1,7% no ano passado, com a agropecuária local recuando 6,9% segundo o IBCRRS). Os dois outros setores da economia também cresceram, porém, bem menos (1,4% para a indústria e 1,8% para os serviços). Mesmo assim, apesar de crescimento menor, 2025 é o quinto ano seguido de expansão da economia, após o desastre provocado pela pandemia em 2020. Outra informação relevante é que o consumo das famílias diminuiu para 1,3% de crescimento, após 5,1% em 2024. Ou seja, com alto endividamento e inadimplência, e uma inflação que recuou, porém, não na velocidade desejada, as famílias frearam seu consumo, ou seja, “apertaram o cinto”. Já os investimentos, após atingirem a 7,6% em 2024, recuaram para 2,9% em 2025, indicando menos capacidade de crescimento no futuro e a dificuldade das empresas diante do quadro de altos juros praticados. Aliás, as taxas de investimento e poupança continuam muito baixas, quando comparadas com o ideal de 25% do PIB para ambas. No caso dos investimentos, a mesma recuou para 16,8% em 2025, contra 16,9% em 2024, enquanto a da poupança subiu levemente, atingindo a 14,4% do PIB no ano passado, contra 14,1% em 2024. Além disso, nos dois últimos trimestres do ano passado o PIB registrou estagnação, crescendo apenas 0% e 0,1% respectivamente, mostrando que a economia travou. Soma-se a isso duas outras informações significativas: 1) o PIB, em valores correntes, chegou a R$ 12,7 trilhões em 2025, enquanto a dívida pública bruta atingiu a R$ 10 trilhões, ficando em 78,7% do PIB, contra 76,3% um ano antes e apenas 51,8% em 2010. A falta de controle nos gastos públicos tende a piorar este cenário nos próximos anos, comprometendo o crescimento econômico; 2) o PIB per capita chegou a R$ 59.687,49. Ora, considerando que a renda média do brasileiro é de R$ 2.316,00/mês ou R$ 27.792,00 em 12 meses, temos a confirmação da forte concentração de renda existente no país, algo que é histórico, apesar de uma tímida melhora nos últimos anos. Afinal, esta renda média é apenas 46,6% do PIB per capita de 2025. 

quinta-feira, 12 de março de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

 06/03/2026 a 12/03/2026


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segunda-feira, 9 de março de 2026

IRÃ – DIESEL - SELIC (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

A guerra entre EUA/Israel e Irã traz um enorme potencial inflacionário. Isso porque ela ocorre no centro petrolífero do mundo, com o agravante de que o Irã controla o conhecido Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial, além do diesel, componentes para fertilizantes, trigo e outros produtos. No início da corrente semana o petróleo, depois de quatro anos, ultrapassou os US$ 100,00/barril. Para o Brasil, embora atualmente também exportador de petróleo, é bom lembrar que nossas refinarias precisam do produto importado para operar, por questões técnicas e de diferença de qualidade entre o que produzimos e o que importamos. Além disso, somos importadores de diesel. Atualmente compramos no exterior entre 20% a 30% de nossa demanda interna (em 2025 foram 17,3 bilhões de litros). Subindo o preço do petróleo sobe o preço de seus derivados. Ora, se o Brasil não repassar esta alta aos preços internos, os importadores de diesel (maioria privados) paralisam suas compras devido a defasagem de preço e passa a existir, sim, risco de desabastecimento interno do insumo. Isso explica a imposição de cotas de venda de diesel e gasolina nas refinarias feito pela Petrobrás na semana passada. Ocorre que aumentar os preços dos combustíveis gera inflação (o preço interno do diesel já está defasado em 47% em relação à cotação internacional e o da gasolina em 19%). Um aumento da inflação compromete a redução da Selic (prevista para ter início em 18/03) e coloca em risco o atual governo em ano eleitoral. Ou seja, não falta diesel no mundo. O que ocorre é que seu preço subiu muito devido à guerra, a qual também elevou o custo da logística (transporte) do produto. Assim, pode faltar diesel no Brasil caso a Petrobrás não eleve o preço do insumo. Lembrando que duas refinarias privadas, situadas no Nordeste, já elevaram o diesel em R$ 0,21 e a gasolina em R$ 0,30 por litro (isso quando o barril do petróleo ainda estava em US$ 84,00). E a situação só não é pior porque o câmbio está comportado (por enquanto). A lógica indica reajuste de preços gerais destes combustíveis no país, pressão inflacionária evidente e Selic em xeque, com sua redução não iniciando em março e/ou o conjunto da baixa em 2026 sendo bem menor do que o esperado, encerrando o ano acima dos 12%. A duração da guerra no Oriente Médio irá definir o caminho.

quinta-feira, 5 de março de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

 27/02/2026 a 05/03/2026


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segunda-feira, 2 de março de 2026

O ASSOMBRO DA INADIMPLÊNCIA (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

Efetivamente é assombroso o nível de inadimplência dos brasileiros. Neste mês de fevereiro de 2026, segundo a Serasa, 49,7% da população adulta estava inadimplente em nosso país, atingindo o 13º mês consecutivo de alta percentual. Eram 81,3 milhões de pessoas em tal situação. A maioria por estourar o limite do cartão de crédito e por demandar empréstimos a juros altos, sem uma renda adequada para dar conta de cobrir a dívida. Pior: grande parte se endividando para comprar alimentos (já estamos comprando comida à prestação). E, dentre os motivos, para além da tradicional falta de educação financeira, baixa renda das pessoas e do crédito consignado, tem-se agora os gastos com jogos de azar, caso do famigerado “tigrinho” e das bets, os quais se transformaram em vício para muitos cidadãos. Além disso, a inflação de boa parte dos brasileiros é bem maior do que o IPCA oficial, superando mensalmente a reposição salarial. Não havendo ganhos reais na renda das famílias, cai o poder aquisitivo e, para tentar manter o nível de vida minimamente, as famílias se endividam para além de sua capacidade de pagamento. No Rio Grande do Sul, 2025 fechou com 29,5% dos gaúchos inadimplentes, o maior patamar desde outubro de 2019. Hoje, a renda média domiciliar per capita do brasileiro é de apenas R$ 2.316,00 mensais (cf. IBGE/PNAD), sendo que no Estado mais rico do país (São Paulo) a mesma alcança R$ 2.956,00. Ora, o custo de vida mensal do brasileiro, em média, é de R$ 3.520,00 (cf. Serasa), sendo que os gastos com alimentação, moradia e contas recorrentes consomem, em média, 57% deste total. Para a saúde e educação são destinados apenas 3% e 4% respectivamente. Ou seja, além de não sobrar nada para poupar, somos uma Nação malformada e com saúde precária. O quadro seria ainda mais assustador se não houvessem as diferentes políticas sociais de apoio à renda e “mutirões” de perdão de dívida feitos pelo Estado, Serasa e outros. Pouco resolve se o desemprego cai a taxas significativas, pois a remuneração do mesmo é insuficiente diante da realidade que se vive e das armadilhas comerciais, financeiras e de jogatinas postas no caminho dos brasileiros. O efeito se estende para as empresas, onde também cresce a inadimplência. Enquanto isso, o custo da ineficiência do Estado aumenta, asfixiando ainda mais a população.   

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