Apesar de sermos, hoje, o sétimo produtor mundial de petróleo, não impedimos mais uma crise nos combustíveis, a partir da guerra no Oriente Médio. Parte da explicação está no fato de que nossa capacidade de refino não é suficiente para dar conta da crescente demanda interna. Assim, somos obrigados a importar 30% do diesel que consumimos, mesmo que o uso do biodiesel, desde 2006, tenha aliviado o quadro. A gasolina é menos atingida, graças à mistura de etanol em 30% e um consumo menor (em 2025 o país consumiu 69,47 bilhões de litros de diesel B, que inclui a mistura de biodiesel, e 46,65 bilhões de litros de gasolina C, que inclui a mistura de etanol anidro). Por outro lado, em sendo os combustíveis controlados pela Petrobrás (detém 86% do refino de petróleo no país), e o governo buscando segurar a inflação, a estatal reluta em repassar a integralidade das altas de preços do petróleo mundial (o Brent, nesta semana, girava entre US$ 110,00 e US$ 120,00/barril, com aumento de 50 a 60 dólares em relação ao início do ano). Com isso, os distribuidores seguram o produto nos estoques, pois muitos importam o diesel e não estariam conseguindo repassar a diferença de preços e outros tantos especulam, segurando o produto visando um aumento de seus lucros. Assim, mesmo não havendo falta do insumo, na prática os preços dos combustíveis disparam, especialmente no caso do diesel. Em tal contexto, a inflação de março e meses seguintes será importante. Com isso, o Copom poderá, em sua reunião de maio, repensar e manter os 14,75%aa ou, até mesmo, retornar aos 15%. Dito isso, duas considerações adicionais: 1) o governo brasileiro, ao não repassar as altas do petróleo, deixa de resolver o problema estrutural de sua crise fiscal. Afinal, “se a Petrobrás seguisse o preço internacional do petróleo, em este se mantendo ao redor de US$ 100,00/barril, o governo acabaria com o déficit fiscal e geraria até um superávit primário” (ZH,16/03/26, p.11). Claro, a inflação subiria fortemente, exigindo medidas duras de contenção, porém, a alta seria momentânea. Por quê? 2) segundo especialistas, terminada a guerra, o petróleo tende a ficar mais barato do que estava antes do conflito, já que antes do mesmo a Agência Internacional de Energia indicava que a oferta do insumo cresceria de duas a três vezes mais do que o aumento da demanda.
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