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quinta-feira, 28 de maio de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

22/05/2026 a 28/05/2026


Já está disponível o mais recente informativo da CEEMA-UNIJUÍ.

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segunda-feira, 25 de maio de 2026

ARTIFICIALIDADE DOS PREÇOS DO DIESEL E DA GASOLINA (I) (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

Não é de hoje que alertamos sobre o erro de um país segurar artificialmente os preços de produtos essenciais. Mas os diferentes governos brasileiros insistem em fazê-lo, geralmente alimentados pelo “populismo eleitoral”. É o caso dos combustíveis no Brasil, neste momento. Hoje, diante da continuidade da guerra no Oriente Médio, a defasagem no preço nacional do diesel, em maio, está entre 40% e 47% em relação a paridade internacional, sem os subsídios governamentais. Mesmo com os subsídios a defasagem alcança 32,7%. Já na gasolina essa defasagem fica entre 41% e 73%, dependendo da região (cf. Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). Lembrando que a defasagem só não é pior porque o Real se mantém forte em relação ao dólar (ao redor de R$ 5,00/dólar no momento, contra R$ 5,66 um ano atrás). Qual o custo para a Nação de o governo segurar artificialmente os preços dos combustíveis? Em primeiro lugar, todo subsídio e/ou desoneração tem um custo e o mesmo é repassado para o restante da Nação. No caso dos combustíveis, os mesmos já custaram R$ 30 bilhões aos cofres públicos nos dois primeiros meses de sua aplicação. Desde os anos de 1970 fazemos isso, com alto custo social e baixo benefício. Em segundo lugar, esse movimento piora o déficit fiscal e aumenta a dívida pública, hoje beirando os 80% do PIB, fato que leva o Banco Central a manter a Selic elevada, pois o crescimento do déficit gera inflação. Poderia ser um caminho aceitável, temporariamente, se tivéssemos superávit fiscal e uma dívida pública sob controle. Mas, não é o caso! Em terceiro lugar, como somos importadores de derivados de petróleo, particularmente o diesel (cerca de 30% deste subproduto que consumimos é importado), tais medidas tiram o incentivo dos importadores, podendo causar desabastecimento (a disparada do preço do diesel por aqui, inicialmente teve esse mote como motivo). Importar a preço mundial elevado e vender internamente a preço “tabelado” tira o importador do mercado. Afinal, “ao reduzir os tributos e dar subsídios, o governo passa a exigir que os preços ao consumidor variem de acordo com o que ele acha justo, como se isso fosse possível”. Tais políticas, ultrapassadas, com efeitos colaterais, geram o risco de “perdermos o bonde energético” (cf. Schmidt, C.J. Conjuntura Econômica, FGV, abril/26, pp. 28-31). (Segue)

quinta-feira, 21 de maio de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

15/05/2026 a 21/05/2026


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segunda-feira, 18 de maio de 2026

UE-MERCOSUL: UMA VISÃO EUROPEIA* (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

No dia 1º de maio passou a vigorar o maior acordo de livre-comércio do mundo, em termos de população e PIB somados entre os países, envolvendo o Mercosul e a União Europeia (UE). Um acordo costurado em mais de 20 anos e que chegou ao seu final incompleto, parcial, e cheio de salvaguardas, especialmente em defesa do setor agropecuário europeu. Dentre as parcialidades do acordo, os europeus inseriram uma série de salvaguardas sanitárias e limites à importação de diversos produtos primários. E 12 dias após o acordo vigorar isso já foi posto em prática! A UE vetou a importação de carne bovina brasileira, a partir do 3 de setembro, devido à falta de garantias quanto à não utilização de produtos antimicrobianos pelos nossos criadores. A União Europeia estaria dando o primeiro sinal de que estamos longe de um acordo de livre-comércio amplo e irrestrito, como desejavam os sul-americanos. Aliás, medidas protecionistas não-tarifárias, como estas, têm sido recorrentes no mundo todo, sem que a Organização Mundial do Comércio consiga dar encaminhamentos adequados. E a reação contrária dos produtores rurais europeus, ao acordo, tem suas razões. No caso da França, por exemplo, a agricultura local atravessa uma crise de longa data, cujos fatores não são estranhos ao resto do mundo. As exigências sanitárias e fitossanitárias aumentaram consideravelmente e, com elas, os custos de produção, gerando um enorme endividamento do setor. O capital médio devido por propriedade rural quadruplicou desde 1980 por lá. Com isso, os produtores estão cada vez mais dependentes dos bancos, dos subsídios da UE e lutando por preços que venham a compensar sua produção (o que dificilmente ocorre). E o caso dos antibióticos em nossa carne bovina, mesmo que possa ser exagerado, alimenta o sentimento de que a UE está abrindo o seu mercado primário para uma região que não tem os custos de controle sanitário que seus produtores são obrigados a respeitar. Ou seja, os franceses, que há muito criticam as medidas que lhes são impostas, veem chegar ao mercado francês produtos com preços baixos que não respeitam as mesmas normas exigidas dos produtores locais. Denunciam, portanto, uma concorrência desleal que inviabiliza suas propriedades rurais e põe em risco a soberania alimentar francesa.

(*) Esta coluna contou com a colaboração do aluno da UNIJUI, Raphaël Marloie.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

 08/05/2026 a 14/05/2026


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segunda-feira, 11 de maio de 2026

INADIMPLÊNCIA: A ÁRVORE QUE ESCONDE A FLORESTA (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

O Brasil iniciou o mês de maio com 82,8 milhões de brasileiros inadimplentes, o equivalente a 50,5% de sua população adulta. O total dos débitos supera R$ 557 bilhões, sendo que 47% dos débitos ativos estão no setor financeiro. Na área empresarial o país tem 8,9 milhões de CNPJs negativados, se mantendo no maior nível da série histórica, somando um total de R$ 212,8 bilhões. O quadro é assustador, sendo simplista apontar o juro elevado como o culpado da situação. Sim, ele é um dos problemas, porém, na prática é a árvore que esconde a floresta. E esta é a baixa remuneração do trabalho em relação ao custo de vida. A tal ponto que o brasileiro está tomando empréstimos para pagar as contas básicas, incluindo a alimentação. Soma-se a isso a inexistência de educação financeira de uma significativa parcela de pessoas. Mesmo com a renda per capita média subindo no país (6,9% a mais em 2025 sobre 2024), as pessoas não têm renda suficiente, em sua maioria, para manter um mínimo de qualidade de vida. Segundo estudo da Pnad Contínua (IBGE), divulgado agora em maio, “o rendimento mensal real domiciliar per capita no Brasil atingiu o recorde de R$ 2.264,00 em 2025”. Ora, esta renda representa tão somente 1,49 salário-mínimo da época. E o rendimento médio mensal real, considerando todas as fontes de renda da população (aluguéis, benefícios sociais etc) chega a R$ 3.367,00 (2,2 salários-mínimos). Mais: o rendimento médio domiciliar per capita dos domicílios que recebiam o Bolsa Família era de R$ 774,00 (meio salário-mínimo) em 2025. Assim, embora o aumento da renda média nos últimos anos, o quadro é gravíssimo, obrigando a população e as empresas a sobreviver a base de empréstimos onde, aí sim, o juro cobra seu preço. Portanto, não basta derrubar a árvore (juro) que esconde a floresta. Isso alivia, mas não resolve o problema. Afinal, “o endividamento bancário no Brasil não está ligado ao consumo impulsivo, mas a uma tentativa de manter o básico em dia” (cf. Serasa). Assim, os brasileiros vão empobrecendo e perdendo qualidade de vida. A conta chegou, pela nossa longa história de concentração de renda, apoiada por determinados segmentos da sociedade. O caminho para reverter isso será longo, dependendo muito da qualidade dos governos que colocaremos no poder daqui em diante e de nossa postura como sociedade.  

quinta-feira, 7 de maio de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

 01/05/2026 a 07/05/2026


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segunda-feira, 4 de maio de 2026

PRÓXIMO GOVERNO: O DESAFIO DO DÉFICIT FISCAL (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

As eleições presidenciais se aproximam e um fato continua evidente: o maior desafio do novo governo, seja ele quem for, será atacar o déficit fiscal, colocando a dívida pública em rota de redução em relação ao PIB. A Lei de Responsabilidade Fiscal, o Teto de Gastos, e o Arcabouço Fiscal, nestes últimos 30 anos, não resolveram o problema porque a maior parte dos governos se esmerou em não os respeitar. O país continuou gastando mais do que arrecada e gastando, na maior parte das vezes, muito mal. A conta desaba sobre a população, sob forma de pressão inflacionária, juro alto e baixo crescimento econômico. Estas medidas anteriores também fracassaram porque boa parte do remédio se concentrou em aumentar a arrecadação, geralmente com mais impostos, e muito pouco no corte de despesas e das isenções tributárias (para 2025/2026 estas últimas chegariam a valores entre R$ 860 e R$ 900 bilhões). Por outro lado, o fato de praticarmos juros elevados aumenta a dívida pública, pois parte dos títulos públicos vendidos para dar conta do déficit é indexada na Selic. Assim, o novo governo também terá que dar conta de baixar ainda mais a inflação, criando espaço para uma redução consistente dos juros no país. Soma-se a isso o fato de que temos de cumprir as regras fiscais. Somos pródigos em criar regras e não as cumprir. Ou seja, precisamos encarar a dívida como ela é, não deixando fora dos cálculos determinadas despesas (precatórios, por exemplo) para, enganosamente, considerar que a meta de gastos foi alcançada. Tais pedaladas apenas aumentam o risco e empurram a crise para frente. De tanto fazermos isso em nossa história recente, chegamos ao ponto de “não retorno”. Ou o novo governo enfrenta adequadamente o problema ou o país quebra, seguindo os passos da Argentina, Venezuela e outros tantos. Até aqui, a maior parte das políticas públicas, dos últimos governos, foi na contramão do necessário, deixando de lado a austeridade econômica. Ora, o cidadão que estiver realmente preocupado com o seu futuro e o do país, nas eleições deve prestar atenção nas propostas dos candidatos, aos diferentes níveis de governo, sobre como vencer o desafio do déficit fiscal. Está na hora de entendermos “que o problema fiscal é a grande pedra que impede o desenvolvimento econômico nacional e uma melhor qualidade de vida para a Nação”.

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