Efetivamente é assombroso o nível de inadimplência dos brasileiros. Neste mês de fevereiro de 2026, segundo a Serasa, 49,7% da população adulta estava inadimplente em nosso país, atingindo o 13º mês consecutivo de alta percentual. Eram 81,3 milhões de pessoas em tal situação. A maioria por estourar o limite do cartão de crédito e por demandar empréstimos a juros altos, sem uma renda adequada para dar conta de cobrir a dívida. Pior: grande parte se endividando para comprar alimentos (já estamos comprando comida à prestação). E, dentre os motivos, para além da tradicional falta de educação financeira, baixa renda das pessoas e do crédito consignado, tem-se agora os gastos com jogos de azar, caso do famigerado “tigrinho” e das bets, os quais se transformaram em vício para muitos cidadãos. Além disso, a inflação de boa parte dos brasileiros é bem maior do que o IPCA oficial, superando mensalmente a reposição salarial. Não havendo ganhos reais na renda das famílias, cai o poder aquisitivo e, para tentar manter o nível de vida minimamente, as famílias se endividam para além de sua capacidade de pagamento. No Rio Grande do Sul, 2025 fechou com 29,5% dos gaúchos inadimplentes, o maior patamar desde outubro de 2019. Hoje, a renda média domiciliar per capita do brasileiro é de apenas R$ 2.316,00 mensais (cf. IBGE/PNAD), sendo que no Estado mais rico do país (São Paulo) a mesma alcança R$ 2.956,00. Ora, o custo de vida mensal do brasileiro, em média, é de R$ 3.520,00 (cf. Serasa), sendo que os gastos com alimentação, moradia e contas recorrentes consomem, em média, 57% deste total. Para a saúde e educação são destinados apenas 3% e 4% respectivamente. Ou seja, além de não sobrar nada para poupar, somos uma Nação malformada e com saúde precária. O quadro seria ainda mais assustador se não houvessem as diferentes políticas sociais de apoio à renda e “mutirões” de perdão de dívida feitos pelo Estado, Serasa e outros. Pouco resolve se o desemprego cai a taxas significativas, pois a remuneração do mesmo é insuficiente diante da realidade que se vive e das armadilhas comerciais, financeiras e de jogatinas postas no caminho dos brasileiros. O efeito se estende para as empresas, onde também cresce a inadimplência. Enquanto isso, o custo da ineficiência do Estado aumenta, asfixiando ainda mais a população.
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