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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

ISENÇÃO DO IR POUCO AJUDA (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

Não é de agora o alerta que, apesar de o mercado de trabalho brasileiro apresentar desempenho positivo nos últimos anos, as pessoas e famílias não sentem melhoria equivalente na percepção de bem-estar econômico. A elevada inadimplência existente no país confirma isso, além de outros fatores. Ao contrário do que se podia imaginar, tem-se, portanto, “uma população que não sentiu tanto a melhora dos indicadores do mercado de trabalho pela mudança estrutural e a alta dos alimentos; que contém uma parcela grande de famílias muito endividadas; e que se beneficia menos do que o previsto com a isenção de IR até R$ 5 mil (e redução até R$ 7.350)”. Especificamente no que diz respeito à isenção do IR, pesquisa divulgada em maio de 2026 “mostra que 45% dos brasileiros dizem não ter sentido diferença com a isenção do IR, e apenas 21% reportam que a renda cresceu significativamente. Quando se abre por renda, a faixa que tem a maior parcela (25%) reportando um significativo aumento de renda com a isenção do IR é a que ganha até dois salários mínimos, mas são pessoas que já eram isentas do IR antes da medida do ano passado” (cf. Genial-Quaest). Segundo estudo da FGV, “para quem ganha R$ 3.500 por mês (uma grande maioria da população), por exemplo, o ganho com a isenção até R$ 5 mil é de R$ 39,80 por mês (redução do desconto na fonte), ou equivalente a 1,1% da renda”. O estudo indica que, mesmo para os mais beneficiados pela isenção, considerando a inflação superior a 4%, o ganho é relativamente pequeno. “Em tese, os beneficiários potenciais da isenção de IR são 21,6 milhões de pessoas. Porém, como a isenção e redução do IR este ano só se aplica a pessoas com vínculo empregatício CLT (emprego com carteira assinada, com retenção do imposto na fonte), o contingente de beneficiados cai para 8,8 milhões. Destes, presentes em quase todas as faixas de renda, o ganho com isenção de IR é inferior à inflação. O contingente com algum ganho além da inflação se reduz a 1,7 milhão, quando se considera quem tem emprego com carteira assinada. É pouco para um país em que a população ocupada supera os 100 milhões de brasileiros” (cf. Conjuntura Econômica, FGV, julho/26, pp. 6-11). Assim como a reforma tributária e outras medidas, esta vai no bom sentido, porém, ainda é largamente insuficiente.  

PS: lembro a todos que, em função de agenda no exterior, não postarei meus comentários entre os dias 1º e 20 de setembro. Retornaremos a fazê-lo no dia 21/09. Obrigado.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

21/08/2026 a 27/08/2026


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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

O CUSTO DA FALTA DE JUÍZO ECONÔMICO (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

O Brasil, infelizmente, vem registrando um número cada vez maior de recuperações judiciais, muitas seguidas de falência. No primeiro semestre de 2026 as recuperações judiciais cresceram 6,2% e nos 12 meses encerrados em junho o crescimento foi de 21%. A origem desta situação se encontra no pesado fardo estatal que a sociedade brasileira precisa sustentar. União, muitos Estados, municípios e estatais funcionam com grande desperdício, amadorismo gerencial, privilégios, desvios e corrupção, constantemente denunciados na imprensa nacional. Os três poderes da República agem como se estivessem “em outro mundo”, historicamente acumulando rombos fiscais importantes, fazendo disparar a dívida pública, hoje praticamente impagável. Para sustentar esse descalabro o Estado se vale de impostos. Atualmente, a carga tributária gira ao redor de 32,4% do PIB nacional, forçando os brasileiros a trabalharem cinco meses por ano somente para sustentar o Estado. Como o retorno em serviços públicos de qualidade é quase nulo, o custo social de tal carga é muito maior. Para comparação, a carga tributária média nos países da América Latina e Caribe é de 21% e nos países ricos da OCDE, onde os serviços públicos são de excelência na maioria deles, é de 34%. Assim, baixa a taxa de investimento de um lado e sobe a pressão inflacionária pelo outro lado. A inflação subindo, o Banco Central aumenta o juro básico para segurá-la. Hoje, com Selic a 14% aa, não há economia que resista. Para funcionar, o governo oferece isenções fiscais, aumentando o rombo e gerando um círculo vicioso. O montante total de benefícios e isenções fiscais, projetado para o Brasil em 2026, é de aproximadamente R$ 903 bilhões (cf. Unafisco Nacional). Destes, cerca de R$ 620 bilhões são classificados por auditorias fiscais como privilégios ou gastos tributários sem contrapartida social direta comprovada. Assim, em primeiro lugar deveria estar a reforma administrativa, visando baixar o custo do Estado; em segundo a reforma fiscal, acompanhada da tributária. Mas, a turma “do privilégio adquirido”, que se perpetua no poder, qualquer que seja o governo, só “deixa” mexer onde e como lhe interessa, mantendo a sociedade brasileira amordaçada economicamente. Estamos no limite. Logo mais o ajuste, pelo custo da falta de juízo econômico, será pela dor e azar de quem não puder suportá-lo.

ATENÇÃO: 

Não teremos esta Coluna de Economia nas semanas do 7 e 14 de setembro em função de que estarei em Paris (França), ministrando aulas em universidades e participando de Congresso. Retomo minha coluna neste espaço na semana do 21 de setembro. Obrigado pela compreensão. Abraços.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

 14/08/2026 a 20/08/2026


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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

TARIFAÇO DOS EUA VAI ALÉM DO COMÉRCIO (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

Em novembro de 2025 o governo Trump divulgou sua estratégia para a segurança nacional (National Security Strategy). Nela aparece a expressão “realismo flexível” (cf. Conjuntura Econômica, FGV, junho/26). No texto, a interpretação da mesma, dentre outros aspectos, deixa claro que “não se descarta pressionar os parceiros para que sejam assegurados os interesses dos EUA”, seguindo a Doutrina Monroe de 1823 “América para os americanos”. Na prática leia-se “América para os EUA”. Hoje, como antes, a ideia é “impedir, independente de ideologias, que países, em especial os de fora do hemisfério, detenham recursos estratégicos e quaisquer outros ativos que ameacem a segurança dos EUA”. O documento cita que é necessário garantir comércio equilibrado (para quem?); acesso a materiais críticos para as cadeias de suprimento; garantir o domínio da infraestrutura energética e do setor financeiro, destacando a “importância de os parceiros na América privilegiarem bens, serviços e tecnologias dos EUA”. Muito à frente daqueles que ainda somente enxergam ideologias, os EUA não estão mais preocupados com elas e sim com a manutenção do poder econômico e tecnológico custe a quem custar. Tanto é que o documento deixa claro que “o país usará todos os meios para dissuadir os países do continente a não privilegiarem outros parceiros, pois os EUA devem ser o principal parceiro”. É neste contexto que deve ser visto o tarifaço de Trump mundo afora e sobre o Brasil; a invasão à Venezuela, mantendo o mesmo regime lá presente; a guerra com o Irã; etc. Ou seja, estamos diante de mais uma versão do velho imperialismo usado por diferentes países mundo afora durante a história da humanidade. Em termos mais objetivos, no caso do tarifaço, há um elemento econômico e fiscal importante em jogo. Os EUA sempre fizeram o resto do mundo pagar a conta de seu crescimento econômico e modo de vida, gastando mais do que arrecada e transferindo ao mundo a conta. Hoje, a dívida pública estadunidense atinge a US$ 39,6 trilhões, equivalente a 129% do PIB. Diante disso, a venda de títulos públicos para o mundo não parece ser mais suficiente (a China é o maior comprador dos mesmos). Assim, o governo Trump passou a contar com a arrecadação proveniente das tarifas para ajudar a pagar a conta (somente em 2025 a arrecadação com esta medida protecionista de comércio ficou entre US$ 236 e US$ 287 bilhões). O Brasil paga esta conta, dentre outras coisas, com prejuízos comerciais em diversos setores produtivos (fumo, calçados, móveis, celulose e papel, automóveis, borracha e material plástico etc), com o consequente desemprego setorial, menos crescimento econômico e ameaça as suas riquezas naturais, hoje particularmente as chamadas “terras raras”, elemento central para o novo mundo tecnológico que se instala. Diante do exposto, é provável que futuros governos estadunidenses decidam por não reverter o tarifaço. E têm “patriotas” brasileiros apoiando isso, ignorando que “governos passam, estragos ficam” (cf. ZH, 30/07/2026, p.2). 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

 07/08/2026 a 13/08/2026


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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

ENERGIA: ENTRE A IMPREVIDÊNCIA E A CONTA A PAGAR (Final) (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

Dando sequência ao tema do comentário passado, um outro exemplo que temos sobre a imprevidência e a conta que isso nos obriga a pagar, no setor energético, vem da mistura de etanol à gasolina. Se por um lado a medida diminui à importação nacional de gasolina e favorece a agroindústria de etanol, por outro lado cria sérios desafios e, em muitos casos, maiores custos sociais. E, ao contrário do que a maioria imagina, nossa história é longa nesta mistura. Já em 1931 o Decreto nº 19.717 determinou a mistura obrigatória de 5% de álcool na gasolina importada, subindo de forma escalonada naquele ano. A medida perdeu força com a queda nos preços do petróleo e a chegada da Segunda Guerra Mundial. Porém, em 1976 a obrigatoriedade retornou por conta da alta do petróleo no mercado internacional, variando entre 10% e 22%. Já entre 1998 a 2007 a mistura oscilou entre 20% e 25% conforme decretos e resoluções econômicas dos governos. Em 2015 o índice subiu de 25% para 27%. Em 2025 o percentual passou a ser de 30% e, a partir deste 1º de agosto de 2026, o Conselho Nacional de Política Energética elevou a mistura obrigatória para 32% (gasolina E32) por 180 dias, com fortes possibilidades de se tornar permanente. Ora, aumentar a mistura para 32% no “afogadilho” escancara outra imprevidência do qual somos pródigos. Aumentamos a frota circulante de veículos, porém, não aumentamos e adequamos as refinarias que temos. Assim, mesmo sendo hoje exportador de petróleo, o Brasil importa cerca de 10% da gasolina e 30% do diesel que consome. Por outro lado, a conta desta mistura, já alertada pelo Ministério Público, vai recair sobre o consumidor de duas formas: o consumo de combustível vai aumentar, pois o rendimento do etanol é menor do que o da gasolina, anulando em boa parte a medida; e o estrago nos motores, mesmo dos carros flex atuais, tende a aumentar, pois se está misturando álcool anidro (com água) à gasolina, o que provoca corrosão de peças do motor segundo os especialistas da área (por exemplo, no RS apenas 52% da frota é de automóveis flex, mais adaptados). Ou seja, enquanto os governos correm atrás de gambiarras para enfrentar problemas criados pelas suas imprevidências e más gestões, a conta continua recaindo sobre a população e os empresários sérios que buscam fazer esta Nação avançar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO

 31/07/2026 a 06/08/2026


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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

ENERGIA: ENTRE A IMPREVIDÊNCIA E A CONTA A PAGAR (I) (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

Na última década ganhou força, mundo afora, o debate sobre os problemas ambientais e seus desafios para a sobrevivência da humanidade. As mudanças climáticas, por exemplo, são sentidas em todos os lugares, incluindo diretamente o Rio Grande do Sul. E as mesmas são irreversíveis, pelo menos por uma geração, talvez mais. Em tal contexto surgem as alternativas ditas de energia limpa, menos poluentes. No entanto, se as mesmas têm seu lado positivo, existem igualmente enormes desafios, os quais ganham maior dimensão diante da imprevidência dos gestores públicos, por um lado, e sobre quem paga a conta, de outro lado. Em termos mundiais, a grande preocupação e o mais novo desafio, que ainda parece distante aqui no Brasil, está em como e onde se armazenar as baterias vencidas dos carros elétricos e de outras máquinas movidas à “energia limpa”. Trata-se de um agente altamente poluidor e letal, que ainda precisa ser melhor discutido. Por outro lado, em nosso país, como seguidamente acontece, lançamos projetos importantes de geração de energias alternativas (eólica, solar...), porém, a falta de visão estratégica ligada à infraestrutura necessária nos colocou diante de um problema que poderia ser evitado: como armazenar e canalizar esta energia gerada para que se possa otimizar o seu uso pelo Sistema Interligado Nacional. Hoje, a falta de infraestrutura para interligar a oferta desta energia à demanda enérgica, nos faz literalmente “jogar fora” parte da nova energia gerada. No ano passado, mais de 20% da energia gerada nestas novas matrizes foram desperdiçadas. Assim, o Brasil não aproveita toda a energia renovável que gera devido a gargalos na rede de transmissão, excesso momentâneo de oferta e exigências de segurança do sistema elétrico. Esse desperdício técnico é conhecido no setor como curtailment. Ou seja, apenas começamos um processo para gerarmos energia mais limpa e já tornamos inviável novos empreendimentos na área por imprevidência e incapacidade gerencial. Aliás, o Estado brasileiro sempre foi pródigo em gerar estas situações características de subdesenvolvimento, fazendo a sociedade pagar a conta da imprevidência, geralmente do setor público. Um outro exemplo passou a valer a partir deste 1º de agosto, com o aumento para 32% do etanol à gasolina. (segue)

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