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quinta-feira, 16 de julho de 2026

ANÁLISE SEMANAL DOS MERCADOS DA SOJA, MILHO E TRIGO - Prof. Dr. Argemiro Luís Brum

 PREZADOS AMIGOS

ESTAMOS ENFRENTANDO ALGUNS PROBLEMAS TÉCNICOS E, POR ISSO, O COMENTÁRIO DA SEMANA PASSADA E O DESTA SEMANA, SOBRE O MERCADO DOS GRÃOS, ESTÁ SENDO REGISTRADO AGORA E DE FORMA INCOMPLETA (SEM AS TABELAS DE PREÇOS E COTAÇÕES). ESPERAMOS CORRIGIR ISSO ATÉ O PRÓXIMO COMENTÁRIO. OBRIGADO PELA COMPREENSÃO. ABRAÇOS.

SEMANA DO 03 A 09/07/2026

MERCADO DA SOJA

Em Chicago, as cotações da soja dispararam nesta semana. O primeiro mês cotado bateu em US$ 11,96/bushel no dia 07/07, a mais alta cotação desde o dia 22/05. Salientando que ainda no dia 29/06 a mesma estava em US$ 11,08. Ou seja, em cinco dias úteis nos EUA o bushel da oleaginosa subiu 7,9% (lembrando que dia 03/07 foi feriado naquele país, relativo ao dia de sua independência). Os motivos deste forte aumento foram: as expectativas de clima quente e mais seco sobre as lavouras estadunidenses em julho, o que pode levar a perdas de produtividade; e a volta da China às compras de soja estadunidense, após as reuniões entre Trump e Xi Jinping no mês de maio.

No primeiro caso, é normal, nesta época do ano, a realidade climática pesar sobre o mercado. Por enquanto, ainda é cedo, mas as preocupações ganharam força. A projeção de colheita naquele país se mantém um pouco acima de 120 milhões de toneladas, com a colheita iniciando em fins de outubro. Lembrando que nesta sexta-feira (10) o USDA divulga o seu relatório mensal de oferta e demanda da soja e outros produtos, o qual iremos comentar com detalhes em nosso próximo boletim. O mesmo poderá trazer mudanças nas estimativas da futura colheita nos EUA e no mundo, ano comercial 2026/27, o que mexeria com as cotações em Chicago na próxima semana.

Tanto é verdade que, nesta quinta-feira (09), o primeiro mês cotado naquela Bolsa já cedeu um pouco, na expectativa do relatório. O fechamento ficou em US$ 11,79/bushel, contra US$ 11,31 uma semana antes.

Vale destacar, ainda, que a precária trégua no Oriente Médio não resistiu e a guerra entre EUA e Irã foi retomada nesta semana (aliás, a mesma nunca terminou de fato). Com isso, o preço do óleo de soja voltou a subir em Chicago, puxado pelo petróleo. No dia 08/07 a libra-peso já estava em 71,39 centavos de dólar, após ter recuado para 66,74 no dia 30/06.

Assim, as previsões de temperaturas acima da média e clima mais seco nas próximas semanas nos EUA reaqueceu o mercado da soja. Ajudou para isso o fato de as condições das lavouras da oleaginosa, naquele país, terem caído para 64% entre boas a excelentes, no dia 05/07, contra 66% na semana anterior. Outras 28% estavam regulares e 8% entre ruins a muito ruins. Ainda 34% das lavouras estavam na fase de florescimento, contra 19% da semana anterior, 30% do mesmo período do ano passado e 28% da média. Já em formação de vagens estavam 9% das lavouras, contra 4% da semana anterior, 7% em 2025 e 6% na média.

Além disso, como já foi dito, a China se fez mais presente no mercado comprador de soja estadunidense. Há expectativas de que o país asiático aumente tais compras nos próximos meses. Neste sentido, a empresa chinesa Cofco teria reservado seis navios de soja dos EUA para embarque entre setembro e outubro. Ainda é pouco, mas veio esta sinalização de compra que agradou o mercado e ajudou a aquecer as cotações.

Resta verificar se as duas situações (clima e compras chinesas) não fiquem apenas em fatos de curto prazo.

Pelo sim ou pelo não, o fato é que tal realidade externa puxou os preços da soja, no Brasil, para cima nesta semana. Com um câmbio que girou entre R$ 5,15 e R$ 5,20 por dólar, e prêmios que voltaram a superar um dólar/bushel nos portos brasileiros neste segundo semestre, o preço da soja alcançou os R$ 122,00/saco nas principais praças gaúchas e ficou entre R$ 112,00 e R$ 125,00/saco nas demais praças nacionais. Lembrando que há dois meses os mesmos chegaram a estar entre R$ 98,00 e R$ 114,00/saco. Para comparação, nesta mesma época do ano passado, os preços oscilavam entre R$ 107,00 e R$ 123,00/saco. Ou seja, o mercado melhorou, voltando aos patamares de um ano atrás e, dependendo da praça nacional, até registrando preços um pouco melhores. Mas não há garantias de que isso perdure muito tempo.

“Para o Brasil, o cuidado está no prêmio. Se a China começa a comprar dos EUA, para setembro e outubro, ele volta a pressionar a soja brasileira. Então pode acontecer que Chicago suba e o nosso prêmio não acompanhe. Na prática, compras chinesas são positivas para Chicago, mas o mercado físico brasileiro só melhora de verdade se o prêmio, o câmbio e o comprador caminharem juntos” (cf. Agrinvest Commodities).

No porto de Paranaguá, os indicativos chegaram a variar entre R$ 143,00/saco para agosto, com pagamento em 31 de agosto, até R$ 149,00 para novembro, para soja disponível. Já para 2027, os preços estiveram entre R$ 138,00 a R$ 139,00/saco.

O impacto nas vendas de soja pelos brasileiros foi imediato na semana. Até o dia 08/07 o país havia comercializado quatro milhões de toneladas no período. Com isso, até aquela data o país já havia negociado 71% de sua safra 2025/26, contra 72% na média. Mas ainda assim há muita soja em mãos dos produtores, pois calcula-se um volume de 52 milhões de toneladas, contra pouco mais de 48 milhões no mesmo período do ano anterior. Já para a safa nova havia atraso, com apenas 23% de comercialização realizada. Neste mesmo período do ano anterior, o Brasil já havia negociado 26,5%, enquanto a média é de 27% (cf. Brandalizze Consulting).

 O fato é que, para a soja, neste momento estamos diante dos melhores preços médios nominais do ano em reais.

MERCADO DO MILHO

As cotações do milho, em Chicago, também subiram nesta semana, puxadas pelo anúncio de clima mais seco e quente nos EUA. Porém, as altas foram bem menos intensas do que na soja. O bushel do cereal chegou a US$ 4,42 no dia 07/07, recuando para US$ 4,27 no fechamento da quinta-feira (09), contra US$ 4,25 uma semana antes. Aqui também o mercado esteve na expectativa do relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para o dia 10/07, o qual iremos comentar em detalhes no próximo boletim.

Por sua vez, até o dia 05/07 o USDA informou que 67% das lavouras de milho estavam entre boas a excelentes, mantendo o percentual da semana anterior, enquanto outras 25% estavam regulares e 8% em condições entre ruins a muito ruins. Já 16% das lavouras estavam na fase de pendoamento, contra 14% na média. Outras 3% se encontravam na fase de formação de grãos, contra 2% na média.

E no Brasil os preços continuam pressionados pela colheita da segunda safra. No Rio Grande do Sul o valor médio de R$ 58,00/saco se manteve, enquanto no restante do país os valores oscilaram entre R$ 40,00 e R$ 60,00/saco.

Enquanto isso, a colheita da safrinha de milho 2026, até o dia 02/07, chegava a 30% da área cultivada no Centro-Sul do Brasil, contra 28% um ano atrás (cf. AgRural). Já no Brasil todo, segundo a Conab, esta colheita atingia 28,5% até o dia 03/07, contra a média de 34,5%. Os estados mais adiantados com a colheita eram, naquela data, Mato Grosso (51,1%), Maranhão (50%), Tocantins (40%), Piauí (30%), Minas Gerais (11%), Goiás e Paraná (5%), Mato Grosso do Sul (4%) e São Paulo (3%).

Por outro lado, os grãos secos de destilaria, também conhecidos como DDG, subproduto gerado a partir da produção de etanol de milho, ganham cada vez mais importância na cadeia do milho, Brasil afora. O setor já consome cerca de 20 milhões de toneladas de milho por ano para a produção de aproximadamente 10 bilhões de litros de etanol, volume que representa cerca de um quarto de toda a produção nacional do biocombustível. Somente em Mato Grosso, as usinas consomem aproximadamente 13,5 milhões de toneladas de milho anualmente.

Enfim, as exportações brasileiras de  milho fecharam o mês de junho com um volume de 435.498 toneladas, volume 17,8% superior ao mês de junho do ano passado. Lembrando que o maior volume de exportação ocorre no segundo semestre. Em junho, o preço médio da tonelada exportada ficou 6,7% menor do que o registrado no mesmo mês de 2025, ao atingir US$ 235,40. Já nos primeiros três dias úteis de julho o país exportou 120.311 toneladas, com a média diária caindo 62,1% sobre a média de todo o mês de julho do ano passado. Em todo o mês de julho de 2025 o Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas de milho (cf. Secex).

 MERCADO DO TRIGO

 O primeiro mês, em Chicago, voltou a subir um pouco, chegando a bater em US$ 6,09/bushel no dia 07/07. Na sequência da semana o mesmo oscilou bastante, fechando em US$ 6,11/bushel a quinta-feira (09), contra US$ 5,90 uma semana antes.

 Dito isso, a colheita estadunidense do trigo de inverno atingia a 59% da área, contra a média de 51%, em 05/07. Enquanto isso, as condições das lavouras a serem colhidas ainda estavam com 47% entre ruins a muito ruins, 27% regulares e 26% entre boas a muito boas. Já as condições das lavouras do trigo de primavera, na mesma data, se apresentavam com 57% entre boas a excelentes, 36% regulares e apenas 7% entre ruins a muito ruins.

 Por outro lado, na Argentina, a safra de trigo 2026/27 deve atingir 20,5 milhões de toneladas, segundo a Bolsa de Grãos de Rosário. Ela manteve sua estimativa para a safra de soja de 2025/26 em 51,5 milhões de toneladas e sua estimativa para a produção de milho de 2025/26 em 68 milhões de toneladas no vizinho país.

 E no Brasil, os preços do cereal se mantiveram estáveis, oscilando entre R$ 70,00 e R$ 71,00/saco nas principais praças gaúchas e paranaenses. A oferta de trigo de qualidade superior é pequena, o que aquece o mercado. Por outro lado, os moinhos estariam abastecidos “e sem necessidade de adquirir grandes volumes no curto prazo, priorizando negociações de lotes da safra nova, com entrega prevista entre setembro e outubro de 2026. Os vendedores que ainda dispõem de volumes, sobretudo em São Paulo, onde a disponibilidade é mais escassa, buscam negociar o cereal a preços mais elevados (cf. Cepea).

 Enfim, com a entrada do inverno no sul brasileiro se destacam duas preocupações: as atuais geadas, que podem atingir os trigais paranaenses, resultando em quebra de safra, enquanto o fenômeno ainda é positivo no Rio Grande do Sul; e a previsão de muita chuva a partir da segunda quinzena de julho, fato que poderá prejudicar as lavouras gaúchas em particular. De fato, a partir de agora, o clima no sul do país ganha uma grande importância junto ao mercado do trigo. Lembrando que a colheita nacional começa em setembro pelo Paraná. Além disso, diante da forte redução de área semeada, qualquer quebra de safra, por motivos climáticos, poderá ser uma forte alavanca para a alta nos preços do trigo para o final do ano.

 

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