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segunda-feira, 27 de julho de 2026

A SOJA E A ESTRATÉGIA CHINESA (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

A partir do início dos anos 2000 a China vem se consolidando como o maior importador mundial de soja, sendo que o Brasil se tornou seu principal fornecedor. A previsão de produção de soja, na China, para 2026/27, é de apenas 21 milhões de toneladas diante de um esmagamento estimado em 111 milhões. Assim, suas importações deverão atingir a 115 milhões de toneladas de soja neste ano comercial, considerando a necessidade de estoques (cf. USDA). Nos últimos tempos, a China tem feito compras consideradas “políticas” nos EUA, apenas para cumprir os acordos feitos no contexto do tarifaço de Trump. Todavia, em junho/26, ela diminuiu em 21% suas compras da oleaginosa, especialmente produto estadunidense. E no primeiro semestre deste ano 2026, as importações chinesas de soja, com origem nos Estados Unidos, caíram 42,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, ficando em 9,31 milhões de toneladas. Enquanto isso, as compras de soja do Brasil aumentaram 9,1%, para 34,75 milhões de toneladas. Por sua vez, a soja brasileira depende muito da China. Em 2025 exportamos um total de 87 milhões de toneladas da oleaginosa ao país asiático, o que representou cerca de 80% de toda a nossa exportação de soja daquele ano. É diante desta realidade que precisamos nos preparar para possíveis mudanças na estratégia chinesa no médio prazo. Em Congresso da SOBER (Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural), ocorrido em Porto Alegre, entre os dias 19 e 23 de julho do corrente ano, pesquisadores chineses ali presentes, em debates e palestras, nos informaram o seguinte: “Um dos grandes objetivos da China, na atualidade, é transformar terras em grandes capacidades produtivas. A partir daí, reduzir a dependência para com as importações de produtos agrícolas, em especial a soja. A meta é, para 2030 reduzir em 25% às compras externas de soja e, para 2050, diminuir em 50% tais compras”. Inclusive, os chineses estão alterando sua matriz de ração animal, diminuindo a participação da soja em favor de outras fontes de proteína produzidas localmente. Se isso se concretizar, o impacto sobre o mercado mundial da soja será enorme. É possível imaginar os efeitos sobre a produção de soja brasileira. Assim, está mais do que na hora de construirmos novas estratégias de produção, consumo e exportação da oleaginosa.

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