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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

CAMINHO ECONÔMICO PARA O PRESIDENTE ELEITO (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

O Presidente eleito pelos brasileiros terá enormes desafios econômicos pela frente. Um dos principais é a histórica desigualdade e a injustiça social que temos. Desde a redemocratização, em 1985, buscou-se uma solução para o mesmo via medidas que estimulam o consumo. Somente isso não é mais suficiente. Nos faltou, sempre, sucesso nas medidas que estimulem a produtividade. Os limites desta são expressos pelos juros elevados, pois estímulo ao consumo sem aumento da produtividade gera inflação, obrigando ao aumento de juros para reduzi-la. Se o governo eleito “não conseguir enfrentar os limites da capacidade redistributiva, de uma economia de mercado com propriedade privada dos meios de produção, irá administrar uma crise econômica ainda mais grave do que as que já vivemos. Por sua vez, e aí está outro problema, não adianta avançar na melhoria da produtividade sem resolver a crise fiscal do país. E sem uma solução para esta crise, o ciclo de juros altos não irá baixar de forma tecnicamente aceitável, o que continuará atrapalhando o crescimento econômico. E o juro elevado leva ao endividamento e a inadimplência dos agentes econômicos. E aqui não se trata de culpar a oferta de crédito, mas sim alertar para que as pessoas, empresas e o governo nunca exagerem na dose do gasto. Afinal gastar mais do que se pode potencializa o risco. Um alívio nesta questão vem da reforma tributária, porém, a mesma ainda manteve o país com uma das maiores alíquotas do mundo. Ora, é preciso migrar para um perfil de tributar menos os bens e mais a renda, a fim de se promover mais bem-estar e eficiência econômica como um todo. Ajuda para vencermos tais problemas, investir ainda mais em educação para a Nação como um todo. Isso pode gerar “um mercado mais eficiente, reduzindo a informalidade e seus efeitos negativos – entre os quais a vulnerabilidade de renda da população, que amplia a demanda por políticas sociais”. Em nossa história, “criamos políticas ruins, mal desenhadas, e elas se perpetuam, porque não conseguimos frear o poder de grupos de interesse e mostrar para a sociedade o custo de determinadas políticas. Isso trava o país e gera entraves para o crescimento econômico. Ora, sem crescimento econômico não vamos conseguir aumentar a inclusão social e chegar ao desenvolvimento. E sem estabilidade macroeconômica – em que sustentabilidade fiscal é um elemento fundamental – não haverá crescimento econômico sustentável. Este é o grande desafio do governo eleito. A pergunta que fica é: o mesmo reúne as condições para vencer tal desafio, implementando políticas públicas na direção necessária? (Cf. Conjuntura Econômica, FGV, set/26)

 

 

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