O PIB brasileiro do primeiro trimestre confirmou a tendência. O resultado de 1,1%, apesar de ser o mais forte em um ano, foi o menor avanço anual para o primeiro trimestre desde 2022. Ou seja, pressionado pelos juros altos, que visam combater a inflação, o crescimento econômico nacional indica uma taxa de 2% nos 12 meses terminados em março/26, contra 2,3% no final de 2025. Confirma-se, portanto, a perda de tração da economia. O crescimento da agropecuária ficou em 2%, lembrando que, para o PIB nacional, o maior impacto desta rubrica se dá justamente no primeiro trimestre. A indústria conseguiu crescer 1%, o que é positivo dada a sua atual fragilidade e os serviços ficaram em apenas 0,5%, destacando que 70% de nossa economia depende do comportamento dos mesmos na atualidade. Enfim, o crescimento dos investimentos, que atingiu 3,5%, infelizmente precisa ser relativizado pois apenas recuperou o tombo ocorrido no trimestre anterior, quando perdeu 3,4%. E o quadro, salvo surpresas, deverá caminhar assim no restante do ano, com expectativa de encerrarmos 2026 ao redor de 1,8% de PIB. Mas ele pode piorar, já que o governo dos EUA, em sua contínua guerra comercial contra o mundo, acaba de ameaçar aplicar a um grupo de produtos brasileiros uma tarifa de 25%, seguida de outra de 12,5%, alegando os mais diversos motivos, muitos deles risíveis, hipócritas e sem nenhuma consistência comercial. Se as mesmas forem aplicadas, a partir de 15 de julho, deveremos exportar menos (não é fácil substituir rapidamente um mercado por outros mercados), gerar menos empregos e menos PIB no final. O prejuízo à Nação brasileira, provocado por questões políticas que todos sabemos de onde vêm, é evidente. Mas, a ação dos EUA também tem uma conotação geopolítica. Neste caso, Trump tenta evitar o fortalecimento das relações comerciais e econômicas em geral dos países atingidos pelo tarifaço, dentre eles o Brasil, para com a China. Uma contradição absoluta, pois são exatamente as ações de Trump que estão apequenando os EUA, fazendo o dólar perder importância e jogando o mundo nos braços da China, a qual agradece o presente e, graças a sua economia pujante, age fortemente para ganhar espaços no cenário global, inclusive se posicionando como arauto do livre-comércio e defensora do multilateralismo internacional.
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