Infelizmente,
mesmo com juro básico em 14,5% ao ano, o qual tem o objetivo de reduzir a
inflação para o centro da meta (3% ao ano), a alta dos preços no país continua preocupando.
Nestes últimos quatro meses, a pressão da guerra no Oriente Médio, através do
aumento nas cotações dos combustíveis e outros produtos, acabou sendo um
elemento que alimentou a alta de preços para além do esperado. Assim, os preços
da construção civil e dos alimentos acabaram pesando sobre o índice, mesmo que
os transportes tenham aliviado a situação devido as ações de controle do
governo, em especial sobre o diesel e a gasolina. Desta forma, depois de alguns
meses abaixo do teto da meta (4,5% ao ano), o que permitiu ao Banco Central
realizar duas pequenas baixas de 0,25 ponto percentual na Selic, maio nos
trouxe um índice inflacionário de 0,58%. O mesmo foi o mais alto, para maio,
nos últimos cinco anos e elevou o acumulado de 12 meses para 4,72%, o que o fez
sair do limite de tolerância (teto) que o governo estabeleceu. A última vez que
isso havia ocorrido foi em outubro/25. Tal elevação em maio, mais uma vez,
esteve presente, em especial, nos alimentos e bebidas (1,33%) e na habitação
(1,22%). Lembrando que o governo criou um novo sistema para considerar o
momento de rompimento do teto. O mesmo é descumprido se a inflação estourar o
intervalo de tolerância por seis meses seguidos (cf. Agência Brasil). Diante
disso, e considerando as pressões vindas também das futuras eleições, o mercado
está projetando uma inflação final, em 2026, em 5,11%. Ou seja, acima da
inflação acumulada de 2025 (4,26%) e de 2024 (4,83%). Aliás, seria a mais alta
inflação anual desde 2022. A possibilidade de término da guerra, anunciada
nesta semana de forma mais incisiva, se ocorrer, poderá aliviar este cenário,
porém, com o Estado brasileiro gastando muito e sempre, o déficit fiscal real
(incluindo as rubricas que o governo deixa de fora do cálculo) tem aumentado, o
que pressiona a inflação para cima. Em tal contexto, atenção ao anúncio da
Selic desta próxima reunião do Copom (16 e 17 de junho). Não será surpresa se o
mesmo mantiver a Selic, ou reduzi-la, novamente, em apenas 0,25 ponto
percentual, fixando-a em 14,25% aa. Assim, para conter a alta dos preços, o
freio à economia continua.