No momento em que o Brasil discute o modelo 5x2, chamamos a atenção para a dificuldade de isso dar certo, pelo lado do crescimento da economia, quando a nossa produtividade do trabalho continua muito baixa. Recente estudo da FGV confirma esta preocupação (Cf. Conjuntura Econômica, FGV, março/26, pp.14-17). Somos uma economia com baixo crescimento de produtividade. Nos últimos 30 anos (1995-2025) a produtividade cresceu menos de 1% ao ano (entre 2011 e 2025 cresceu apenas 0,4%). Enquanto isso, a jornada de trabalho foi reduzida em 2,7 horas semanais. Por sua vez, a oferta de trabalho cresceu 1,4 ponto percentual até 2019, caindo posteriormente. Esta queda se dá pelo envelhecimento da população. Ou seja, o bônus demográfico (período em que a proporção de pessoas em idade ativa - 15 a 64 anos - é maior do que a de dependentes - crianças e idosos -, favorecendo o crescimento econômico) passou e estamos envelhecendo. Ou seja, daqui não sairá mais empuxe para o crescimento econômico nacional. Diante disso, confirma-se que a política econômica expansionista de 2007 a 2013 era insustentável, como alertado diversas vezes. Por outro lado, a taxa de crescimento das horas trabalhadas nos últimos triênios (2020-2025) explica boa parte do crescimento da economia. Ora, já estamos em um nível de emprego (aqui, não se discute a qualidade do mesmo) elevado e com tendência de redução na jornada de trabalho. Portanto, também daqui não virá ajuda ao crescimento da economia. Desta forma, será absolutamente necessário elevar a produtividade média do trabalho. Isso já era necessário antes, imagine-se ao aplicarmos o 5x2. É bom lembrar que, após o crescimento da produtividade chegar a 2,2% em 2023 frente a 2022 (recuperação da paralisação provocada pela pandemia da Covid), esta taxa despencou para 0,4% em 2024 ante 2023, e para 0,3% em 2025 ante 2024. Neste contexto, a taxa de crescimento potencial da economia, para os próximos anos, tende a girar próxima de 1% ao ano, quando o adequado seria 4%. Pode-se reduzir o regime de trabalho no país, porém, os dados mostram que nossa economia não está pronta para isso ou será preciso um enorme esforço em produtividade para compensar a medida. Algo que, infelizmente, a história recente indica não termos conseguido até o momento.
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