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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

OS DESAFIOS PARA O 5X2 (Prof. Dr. Argemiro Luís Brum)

Reduzir a jornada de trabalho no Brasil, de 6x1 para 5x2 (cinco dias trabalhados para dois de descanso) pode ser factível, porém, apresenta sérios riscos. Por exemplo: reduzir a jornada, sem reduzir os encargos trabalhistas, tende a resultar em substituição de pessoas por mais tecnologia nas empresas; sem subvenções públicas às empresas, para compensar o aumento do custo do trabalho (mais déficit público), dificilmente funcionará; há forte possibilidade de se aumentar os custos de produção e perder competitividade, fato que leva ao aumento do desemprego logo adiante. Assim, é preciso muito cuidado com mudanças desta envergadura. Que os trabalhadores precisam de mais qualidade de vida, não há dúvida. Entretanto, antes de uma redução na jornada de trabalho, é necessário melhorar a qualidade no emprego, melhorar a remuneração etc. Por sua vez, reduzir a jornada de trabalho pagando o mesmo salário exige aumento da competitividade do trabalhador, algo que não temos. Como aumentar a eficiência do trabalho para entregar o mesmo em menos tempo de trabalho? Ora, reduzir as horas trabalhadas, com o mesmo salário, sem melhorar a produtividade é empobrecer a economia. Se ficarmos nisso, o crescimento da economia vai recuar, gerando desemprego estrutural. Para se ter uma ideia do problema, “nos últimos 40 anos (até 2023) a taxa média de crescimento da produtividade do trabalhador brasileiro foi de 0,6% ao ano, uma das mais baixas do mundo” (cf. FGV). Estamos apenas em 94º lugar dentre 184 países em termos de produtividade do trabalho. Um trabalhador brasileiro produz, em termos de riqueza, menos de 25% do que um colega estadunidense, indicando baixa eficiência, segundo dados de 2024. Somente no setor industrial nacional, a produtividade industrial apresentou queda a longo prazo, com redução de 23% nos últimos 30 anos, conforme dados de 2025. Diante de tal realidade não há reestruturação da jornada de trabalho que resista. Portanto, antes de tudo, precisamos qualificar nossa população, com maior e melhor formação e escolaridade, permitindo que a mesma domine as tecnologias de ponta. E estamos longe disso, ainda, infelizmente! Sem falar que em determinados setores (castas públicas, por exemplo) seria fundamental fazer o contrário, ou seja, aumentar a carga horária trabalhada e reduzir o salário. 

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