20/02/2026 a 26/02/2026
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20/02/2026 a 26/02/2026
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Reduzir a jornada de trabalho no Brasil, de 6x1 para 5x2 (cinco dias trabalhados para dois de descanso) pode ser factível, porém, apresenta sérios riscos. Por exemplo: reduzir a jornada, sem reduzir os encargos trabalhistas, tende a resultar em substituição de pessoas por mais tecnologia nas empresas; sem subvenções públicas às empresas, para compensar o aumento do custo do trabalho (mais déficit público), dificilmente funcionará; há forte possibilidade de se aumentar os custos de produção e perder competitividade, fato que leva ao aumento do desemprego logo adiante. Assim, é preciso muito cuidado com mudanças desta envergadura. Que os trabalhadores precisam de mais qualidade de vida, não há dúvida. Entretanto, antes de uma redução na jornada de trabalho, é necessário melhorar a qualidade no emprego, melhorar a remuneração etc. Por sua vez, reduzir a jornada de trabalho pagando o mesmo salário exige aumento da competitividade do trabalhador, algo que não temos. Como aumentar a eficiência do trabalho para entregar o mesmo em menos tempo de trabalho? Ora, reduzir as horas trabalhadas, com o mesmo salário, sem melhorar a produtividade é empobrecer a economia. Se ficarmos nisso, o crescimento da economia vai recuar, gerando desemprego estrutural. Para se ter uma ideia do problema, “nos últimos 40 anos (até 2023) a taxa média de crescimento da produtividade do trabalhador brasileiro foi de 0,6% ao ano, uma das mais baixas do mundo” (cf. FGV). Estamos apenas em 94º lugar dentre 184 países em termos de produtividade do trabalho. Um trabalhador brasileiro produz, em termos de riqueza, menos de 25% do que um colega estadunidense, indicando baixa eficiência, segundo dados de 2024. Somente no setor industrial nacional, a produtividade industrial apresentou queda a longo prazo, com redução de 23% nos últimos 30 anos, conforme dados de 2025. Diante de tal realidade não há reestruturação da jornada de trabalho que resista. Portanto, antes de tudo, precisamos qualificar nossa população, com maior e melhor formação e escolaridade, permitindo que a mesma domine as tecnologias de ponta. E estamos longe disso, ainda, infelizmente! Sem falar que em determinados setores (castas públicas, por exemplo) seria fundamental fazer o contrário, ou seja, aumentar a carga horária trabalhada e reduzir o salário.
13/02/2026 a 19/02/2026
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No contexto da geoeconomia mundial, há algumas décadas o mundo se preocupa com a relação EUA/China. Especialmente porque os chineses detinham as maiores reservas do mundo em títulos estadunidenses, sustentando o “trem de vida” dos EUA. Duas perguntas sempre assombraram o setor econômico-financeiro internacional desde então: 1) o que aconteceria se os chineses deixassem de comprar os títulos estadunidenses (praticamente não há, no mundo, outro país com poder econômico suficiente para substituir a China neste movimento)? 2) e se os chineses decidissem resgatar os títulos estadunidenses (até então, mais de três trilhões de dólares em suas mãos)? Uma terceira pergunta se impunha: e se os EUA, neste equilíbrio de forças, decidissem diminuir as compras de produtos chineses, as quais sustentam, em boa parte, o boom econômico chinês, iniciado em meados de 1980, quando de sua abertura econômica para o mundo? Pois bem, os EUA, através de Trump, já em seu primeiro mandato (2017-2020) iniciou uma guerra comercial contra os chineses, através de imposições tarifárias elevadas, a qual foi aprofundada no seu atual mandato (aliás, o mesmo tem comprado “briga” comercial com o mundo inteiro). Ocorre que, desta vez, a China reagiu. Em surdina, seu governo “recomendou” a seus bancos que reduzam as compras de títulos do Tesouro estadunidense. O resultado sobre a economia e o dólar estadunidense foi imediato: os dois perderam força no cenário global, havendo hoje uma fuga do dólar. Ou seja, este não é mais um valor refúgio em épocas de crise, o que levou a uma forte desvalorização global do mesmo. Isso explica, em boa parte, a forte valorização do Real, pois nossos altos juros atraíram parte destes dólares. Em síntese: a China passou ao terceiro lugar na posse de reservas em títulos estadunidenses; seu movimento provocou uma corrida pelo ouro, este sim se mantendo como valor refúgio (entre fev/25 e fev/26 a onça-troy de 31,1 gramas, passou de US$ 2,9 mil para mais de US$ 5,0 mil no mercado mundial); e, o mais importante, abriu uma brecha ainda maior para que o dólar, no futuro, venha a ser substituído por outra moeda como referência mundial. Isso ocorre pela primeira vez desde os acordos de Bretton Woods, em 1944, que selaram o novo mundo pós-Segunda Guerra Mundial. Estamos diante de mais um movimento de reposicionamento da geopolítica e geoeconomia mundial, o qual atinge a todos nós de forma estrutural.
19/12/2025 a 12/02/2026
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2026 iniciou repleto de acontecimentos, começando com a invasão da Venezuela e ameaças à Groenlândia e Irã, até o acordo UE-Mercosul, passando pela crise do Banco Master e a elevada Selic no Brasil. Todos com efeitos econômicos. Assim, entramos em ano eleitoral com muito a nos preocuparmos, diante dos problemas externos e internos que se multiplicam e acirram. Dentre eles, destaca-se o crescente déficit público brasileiro, que será agravado em 2026 (puxado pelas eleições), sendo que 2027, continuando neste ritmo, será o ponto de não retorno em relação a inviabilização das contas públicas nacionais. O PIB brasileiro será apenas de 1,6% em 2026 (cf. FMI), quando o necessário seria 4%, freado por uma taxa básica de juros em 15% aa (devendo fechar o ano ainda em 12%). Isso ocorre para segurar uma inflação que disparou nos últimos anos e, mesmo voltando à casa dos 4,26% em 2025 (abaixo do teto da meta) ainda se encontra longe do objetivo (centro da meta) que é 3%. Inflação cuja a causa central está na histórica ineficiência do Estado, com os poderes públicos gastando acima das possibilidades, e gastando mal. Isso freia o país, gerando crises cada vez mais profundas. Em 2025 o déficit público real brasileiro foi de 0,48% do PIB ou R$ 61,7 bilhões, quando o arcabouço fiscal “permitia”, já com os ajustes casuísticos, um déficit de 0,25% do PIB. Em tal contexto, a dívida bruta do país atingiu a R$ 10 trilhões ou 78,7% do PIB. Projeções dão conta de que nos próximos dois anos ela chegue perto de 100% do PIB. Mesmo assim os poderes públicos nacionais (executivo, legislativo e judiciário) continuam gastando de forma irresponsável. Um terço dos municípios brasileiros já atrasa pagamentos e inicia 2026 sem recursos para as despesas básicas, enquanto no Congresso Nacional a farra das emendas parlamentares se avoluma, tanto que no Orçamento está previsto R$ 61 bilhões para este fim em 2026, contra R$ 50 bilhões em 2025 e apenas R$ 1,5 bilhão em 2015. Esse rombo (e existem muitos outros) supera em mais de duas vezes os prejuízos causados pelos desastres climáticos no país em 2025 (os mesmos teriam sido de R$ 28 bilhões segundo relatório da Aon, corretora e consultora de riscos com sede no Reino Unido) e praticamente empatam com os R$ 62,8 bilhões de 2024 (em valores atualizados), quando houve o desastre climático no RS.